52/2020: NÃO BASTA NÃO SER RACISTA SEJAMOS ANTIRRACISTAS




"Esse livro está assumidamente arraigado na política de identidade. Sou branca e me dirijo a uma dinâmica branca comum. Escrevo principalmente para um público branco; quando uso os termos nós e nos, refiro-me à coletividade branca."

Olá, como estão? 
Espero que bem, pois a resenha que trago hoje fala de um assunto atual, que muito vale a pena a reflexão, sem contar o fato de vermos a questão, através dessa leitura, sob o aspecto, de certa forma, invertido. Falo de raça, racismo, atribuição de cor à pele, mas sob o aspecto de uma consultora em questões de justiça racial e social por mais de vinte anos, de cor branca. 
Vem conferir comigo! ;) 




Título Original: Não Basta Não Ser Racista, Sejamos Antirracistas 

Autora: Robin Diangelo 

Ano: 2020

Páginas: 192

Editora: Faro Editorial


Sinopse


É hora de todos os brancos abandonarem a ideia de superioridade e, de fato, atuarem no combate ao racismo. Negação, silêncio, raiva, medo, culpa... essas são algumas das reações mais comuns quando se diz a uma pessoa que agiu, geralmente sem intenção, de modo racista. Ser abertamente racista não é algo socialmente aceitável. Ninguém quer ser visto assim. Mas cada vez que se nega o racismo, impedimos que ele seja abordado e que nossos preconceitos sejam discutidos. As reações de negação não servem apenas para silenciar quem sofre o preconceito, também escondem um sentimento que a autora Robin Diangelo passou a chamar de fragilidade branca. Em seus estudos, Diangelo catalogou frases, palavras e sentimentos de voluntários que se veem sem qualquer preconceito e demonstrou que, no fundo, ele estava lá. Sua proposta é que todos comecem a ouvir melhor, estabeleçam conversas mais honestas e reajam a críticas com educação e tentando se colocar no lugar do outro. Não basta apenas sustentar visões liberais ou condenar os racistas nas redes sociais. A mudança começa conosco. A AUTORA: ROBIN DIANGELO é professora universitária, autora e consultora em questões de justiça racial e social há mais de vinte anos. Não basta não ser racista ― Sejamos antirracistas ocupa as primeiras posições das listas de livros mais vendidos do mundo desde seu lançamento. 



Por que é quase sempre tão difícil falar aos brancos sobre racismo?


Quando comecei a leitura, essa foi obviamente a pergunta ao qual me peguei a pensar. Algo, fato, como branca, filha de mulher negra, nunca havia parado a refletir e a (me) questionar. 
Tratando-se de uma obra muito bem fundamentada em seus contextos políticos, étnicos e inclusive socioculturais, falar de identidade e adequar-se a certa complexidade ao se debater sobre questões raciais, branquitude e de pessoas, por exemplo, multirraciais, leva o leitor a uma série de ponderações que acabam trazendo-lhe a um cotidiano próximo de sua realidade, com certeza, mesmo que muitas vezes, de forma antes não pensada — algo que me alertou na proposta de Robin Diangelo. 

"Se nos recusarmos a ver um problema, não poderemos lidar com ele."

Em Não Basta Não ser racista, sejamos Antirracistas, Robin Diangelo nos mostra, de forma clara, concisa, o quanto a raça acaba tendo certa influência em nosso modo de vida.
Não nos tenta convencer sobre a existência do racismo, ou o coloca sob forma de dúvidas e cogitações acerca de sua (in)existência. Nos afirma: sim, o racismo existe.

"Obviamente, desenvolvi a consciência de que a raça de alguém tinha importância, e se fosse para discutir raça, seria a deles, não a minha. Mesmo assim, um componente fundamental da construção da habilidade inter-racial é enfrentar o desconforto de ser vistos racialmente, de ter de agir como se nossa raça importasse (e importa!). Ser visto racialmente é um disparador comum da fragilidade branca". 

Assim, alguns desafios são colocados no material, como o compreender a socialização, o entendimento simplista do racismo, a construção social da raça, o que significa ser branco para os brancos.



Vimos que raça, assim como gênero (outro ponto que muito tem sido exposto na atualidade), enquanto construção coletiva deve (ou ao menos deveria!) ser construído socialmente.
Neste livro, trazido ao Brasil pela Faro Editorial, conseguimos captar que, para assimilarmos o racismo, antes devemos distingui-lo de preconceito e de discriminação.

Percebemos que promover transformações requer, em algumas situações, como nessa, o desconforto, o que Diangelo faz com esmero em sua obra, principalmente quando, de certa maneira, provoca o leitor ao referir-se à fragilidade branca.
Para concluir, como inciei a resenha com um questionamento pessoal provocado com tal leitura, deixo outro para encerrar, e os convido a conversar comigo nos comentários sobre esses e outros que porventura vocês acabem tendo. 

Não generalizando, por que os brancos costumam ter tanta dificuldade em conversar sobre raça? 


Já pararam para pensar sobre isso? 

Bora papear! ;) 

Beijos literários!



9 comentários

  1. Tema fundamental!Já anotei o título para ler, pois é muito importante trabalhar esse tema. Excelente resenha!
    Abraços

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  2. Olá querida! Esse livro está no top da minha lista de compras, estou lendo vários livros sobre o tema e tenho certeza que essa leitura irá me ensinar muita coisa. Gostaria muito que livros como esse fossem cada vez mais debatidos em escolas, entre as famílias, grupos de amigos e quem sabe assim, conseguiríamos mudar a mente das pessoas racistas.

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  3. Nunca tinha pensado por esse lado! Dica anotada... Acho que vou adotar esse livro para o meu grupo de estudos, trabalho com adolescentes e esse livro parece que dá uma chacoalhada...
    Abraços

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  4. Menina, que resenha importante de um livro tão importante quanto!
    Te achei muito gentil se propondo a não generalizar no final mas eu digo, como uma pessoa branca de família branca e maior parte dos amigos idem, que é a dificuldade é geral, sim, e isso em alguns aspectos é bom porque quer dizer que incomoda. Se admitir racista é incômodo, mas também só assim podemos nos tornar antirracista! Colocar o dedo na ferida é essencial!
    Vejo muitas pessoas pretas incentivando conteúdos como o desse livro porque eles estão EXAUSTOS de ensinar pros brancos como não ser racistas! Chegou nossa hora de fazer esforço, pesquisar e, sem querer invadir o espaço do outro, produzir também. Fiquei super interessada em ler também!

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  5. É uma leitura necessária, deveria ser lida por várias pessoas, principalmente as que rotulam e discriminam,quem sabe elas reveriam seus conceitos. Resenha incrível e obra sensacional!!!

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  6. Essa é uma temática muito importante que deveria sempre estar em pauta, sempre é necessário que o debate exista para que uma nova tomada de consciência aconteça. Parabéns pela resenha, dica anotada!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Esse tema é extremamente importante de ser abordado. O próprio título diz tudo, precisamos falar muito e sempre e cada vez mais sobre racismo, tanto para combatê-lo quanto para não silenciar que tem lugar de fala nesse assunto. É absurdo como o racismo é algo arraigado na nossa sociedade e nosso modo de viver e por isso, muitas vezes, temos atitudes, falas e pensamentos racistas sem sequer perceber. E o primeiro passo para mudar é aceitar isso e nos dedicarmos a não repetir mais esse pensamento. Ótima dica de leitura!

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  9. Nos últimos tempos eu tenho tentado adquirir mais livros que tratem sobre racismo justamente para que eu consiga entender cada vez mais qual é o meu papel nisso tudo (sou branca). Não conhecia esse livro, mas agradeço pela resenha, pois já vou adicionar o livro na minha wishlist!

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