50/2020: NO LUGAR DO MEU PAI, EU

 "Se não importa a qualidade do sentimento e sim a intensidade para que conheçamos a vida, lá estava eu:  no meio do abismo de gozo, excitação e tristeza que só a perda desperta."
Olá, pessoal, como estão? 
Hoje, Dia dos Pais, a resenha que trago é bem propícia, além de lhes oferecer a dica de uma obra um tanto poética, leve.

Título Original: No Lugar do Meu Pai, Eu

Autor: Felipe Belão

Ano: 2014

Páginas: 126

Editora: InVerso
Sinopse
"O respeito é uma entidade que começa na presença, manifesta-se no conforto do silêncio e se consolida no amor construído a dois”.


Neste livro, Felipe Belão termina a trilogia de seu personagem Tito. Conta da importância das figuras paternas na vida de um homem. Como elas moldam e definem seu caráter, seus valores e sua personalidade.

“Muitos leitores disseram se encontrar em meus parágrafos. Agora posso contar tudo num livro como este, cheio de narrativas transmidiáticas que permitem a quem lê, abrir uma página qualquer e ler só um pedaço. Ou recomendar que você, leitor, acompanhe tudo e entenda melhor minha história. Tanto faz. Sou leitor e narrador agora. Sou o escritor que publica, redige e vive à flor da pele. Sou quase adulto nesta página de minha vida”.

Um livro que traz a figura paterna em sua importância, No Lugar do Meu Pai, Eu , do escritor Felipe Belão, traz uma narrativa em que Tito, seu personagem, vivencia bem de perto a morte de seu avô, o italiano de olhos claros, homem de respeito — o patriarca de sua família. Tal fato o traz uma tristeza grandiosa no peito, mas também lhe remete, com o passar do tempo, ao saber lidar com suas próprias escolhas, e o conhecer a si mesmo.

Algumas questões muito próximas do cotidiano também nos são relatadas de uma maneira um tanto poética, como uma proposta de emprego em outra cidade, o que lhe traria a possibilidade de pensar e amadurecer sobre laços perdidos e que poderiam ser refeitos, relacionamentos e a possível tentativa de reconciliação com seu pai.

" 'Sou desses exagerados que sentem demais o impacto da vida, dos fatos e das fadas' ".

Embora eu não tenha lido as duas obras anteriores dessa trilogia de Felipe Belão, pude sentir uma obra curta, de escrita bem simples, que nos aponta reflexões do personagem central acerca de ocorridos que são bastante nítidos à vivências corriqueiras de qualquer um, o que facilita no processo de aproximação do leitor à obra.
 “À medida que o tempo passa, as experiências vividas vão transformando as pessoas, suscitando em suas mentes, de forma indelével, questões que põem em cheque seus valores".

Em suas narrativas de cunho transmidiáticas, Felipe Belão, nos infere a sentimentos de Tito, os espaços que percorre, usando de certa sabedoria, desde o branco da folha que, em princípio, não fora pelo personagem escrita, já que ele de certa forma luta contra sensações sobre sua vontade de escrever.
Assemelha assim, tal branquitude  às flores.
Ao silêncio.
À sensação de perda. 
O luto.
A solidão.
Além de diálogo breves.

E aí, me contem: já leram?

Nas estimas de um Feliz Dia dos Pais, deixo-lhes esse carinho em forma de resenha!

Beijos literários!

6 comentários

  1. Parece ser realmente uma obra sutil e delicada, fiquei curiosa para ler - Mas, no meu caso, teria que ler os outros dois primeiro, não sei por qual motivo não consigo pensar em começar uma trilogia pelo último livro, inclusive estou com dois livros "parados" na estante porque me falta comprar o primeiro dos três.

    Abraços!

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  2. Ah, sim, obviamente que a gente tem uma clareza muito maior quando se conhece o personagem e sua trajetória do início. Essa obra recebi em parceria com a Editora. Mas ainda assim, consegui ter boa noção da simplicidade e da maturidade do protagonista e suas resoluções e escolhas. Bjs e uma boa semana!

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  3. Amei a resenha. A perda de uma figura paterna - seja qual for - é uma perda e tanto...

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  4. Boa noite, cara mia.
    Adoro narrativas poéticas que nos permitem observar a nós mesmos enquanto lemos.
    Fiquei curiosa por conhecer o personagem e a trama, mas tenho um pouco de preguiça com trilogias porque falta-me paciência para esperar pela conclusão. O que não seria esse o caso.
    Confesso que as pausas de uma folha em branco já me conquistou. rs

    bacio

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  5. Fiquei curiosa com os livros anteriores, me parece ser uma trilogia muito bonita e delicada. A temática sobre a figura paterna me sensibilizou, perdi meu pai ano passado e a saudade ainda é grande. Abraços e tenha uma ótima semana!

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  6. Olá! Estou interessada em realizar a leitura dos livros anteriores, para saber mais sobre esse relacionamento entre pai e filho. Relacionamento familiar é complicado mas, quando perdemos alguém que amamos parece que tudo fica mais complicado ainda, por isso, gosto muito de ler como os autores abordam essas situações nos livros.

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