BATE-PAPO COM A AUTORA CINDY DALILA

Olá, como vão todos?
Dias atrás eu postei aqui e no Instagram a resenha do livro Somos Ninguém, da escritora Cindy Dalila.
Como fazia um bom tempo que eu não trazia bons bate-papos por aqui, eu a convidei e ela topou.
Então, bora puxar a cadeira, pegar uma xícara de café e nos acompanhar! ;)



Quem é a Cindy Dalila, seja no cotidiano, ou como aquela que escreve?

Bom, nunca sou boa falando de mim. Posso anexar meu lattes? Hahah
Brincadeira. Eu posso dizer que sou sensível perante injustiças, gosto de ajudar quem precisa e enxergo o mundo de uma maneira melancólica, mas isso normalmente não me faz uma pessoa sem sorrisos.

Quando e como foi a sua descoberta no mundo literário?

Eu era criança e meu tio trabalhava como motorista de uma editora de livros infantis. Sempre que eu fazia aniversário ele me dava caixas com vários livros juntos e um CD que dublava cada página. Eu sentava e ficava ouvindo o CD enquanto folheava as páginas porque não sabia ler e anos depois eu comecei a escrever pequenas histórias por diversão.

E como surgiu a ideia de publicar o livro “Somos Ninguém”? Ele é seu primeiro trabalho publicado?

Eu basicamente escrevia os contos e meus amigos liam e gostavam. Chegou um momento que eu me perguntei “e se?”, então fui atrás de autores iniciantes, editoras e dicas. É meu primeiro livro publicado.

De onde vieram as inspirações para a escrita dos contos contidos no livro? Como foi o processo de construção dos seus personagens e os sentimentos que os norteiam em cada narrativa?

Como eu disse, eu vejo o mundo de uma maneira melancólica e com várias injustiças. Tanta coisa acontece enquanto outros simplesmente viram o rosto. Quando eu escrevi o livro eu estava em uma fase ruim da vida. Na verdade, eu não sou muito fã de livros e filmes do gênero drama, porém naquele momento pareceu encaixar com meus pensamentos. Foi muito difícil o processo de revisão com a editora, pois eu tinha que reler algo que eu escrevi e já me machucava, era como escrever novamente o conto e sentir uma angústia pelo personagem. Felizmente hoje o livro já não causa esse efeito tão forte em mim.

Sobre as caracterizações no âmbito psicológico, o que te levou a chegar em cada protagonista com sensações tão fortes? A quê/quem você gostaria de alcançar em cada leitura?

No livro é possível enxergar que não há somente vítimas como protagonistas, mas também vilões. Quando lemos um livro ou assistimos a um filme que conta uma história com vítima/vilão, geralmente não tem nada humanizando o vilão por traumas passados, conflitos familiares, algum transtorno. Eu não defendo a ação do que esse personagem faz, mas acho estranho não percebermos que aquele personagem (que no dia a dia existe) sofreu também. Sobre quem alcançar? Hmmm... O livro não se prende a descrever características físicas e sim dos sentimentos. Por exemplo, eu não quis jogar simplesmente que o personagem estava triste e sim descrever como é a tristeza e gerar uma reflexão. E na vida nós já enfrentamos tantos desafios, Somos Ninguém talvez não dê um conforto após um dia exaustivo de trabalho. É realmente difícil definir um público.


Você tem alguma história/personagem preferido no seu livro? Quem/qual? Por quê?

Eu gosto muito dos contos Diana, Beatriz e Michael. Eu gosto do conto Diana por mostrar uma garota apática sem perspectivas e como ela passa a vida procurando por isso. Também gosto de como o começo do conto se encaixa com o final. Beatriz é a angústia em personagem. Ela é o sentimento de pânico andando e falando e o final do conto... Michael eu quis mostrar o lado do vilão e foi uma experiência diferente. Aqui nós temos um personagem que não sente nada, um que sente mais do que gostaria e um que causa tais sentimentos nos outros.

Teria novos projetos que poderia nos revelar?

Eu comecei a escrever um livro de fantasia celta. Infelizmente ele está parado por falta de tempo com emprego e faculdade, mas espero prosseguir com ele nas férias de julho e depois no final do ano. Tem sido uma experiência diferente e acho que vão gostar.

Você atribui algumas peculiaridades da sua narrativa a fatos próximos ao cotidiano do leitor? Se sim, quais? E se não, por quê?

Sim, claro! Por exemplo, nós temos o conto de Helena que retrata uma mulher em situação de rua. Quantas vezes eu, minha família ou o próprio leitor já parou para pensar no que essas pessoas já viveram ou estão vivendo agora? Será que eles querem estar ali? Nós escutamos tantas frases como “a cidade disponibiliza lugar para dormirem”, “a família está atrás e eles que não voltam”, no entanto não é assim a situação. Alguns são abandonados por vícios em substâncias, outros por transtornos. É difícil se sentirem confortáveis sem passar primeiro por um tratamento adequado.

Para fechar: Gostaria de nos deixar algum recado? Se sim, fique à vontade!

Algumas leituras são essenciais para fugir dos conflitos do dia a dia, mas outras são importantes para refletir também. É isso. Obrigada!!

Uau! É isso que define minhas sensações ao ler as respostas de Cindy Dalila ! 
Muito do que colocou também considero, e gostei bastante também de alguns dos contos preferidos dela.
Ah, achei fantástico o projeto de escrita de um livro de Fantasia Celta! Que máximo!
Enfim, só posso desejar sucesso e agradecer pela disponibilidade em estar aqui conosco! 

Espero que tenham gostado e que leiam Somos Ninguém, galera!

Beijos Literários!


2 comentários

  1. Parabéns pela entrevista!! Eu gosto muito porque dá pra conhecer novos autores e um pouquinho deles.
    A Cindy é uma fofa e eu super me identifiquei com o modo que ela descobriu o mundo literário, comigo também foi assim.
    Desejo todo sucesso para a autora!!

    bjs

    ResponderExcluir
  2. Adorei a entrevista e fiquei curiosa para ler o livro, especialmente pela última resposta dela acerca da importância de ler livros para escapar mas também ler livros para refletir, afinal, é sempre muito mais reconfortante ler livros para escapar e esse conforto não nos ajuda como deveria a construir opiniões e pensamentos.
    Abraços!

    ResponderExcluir