47/2020: ELA DISSE

"Mas ver que as descobertas que tínhamos feito após uma investigação exaustiva ajudavam a realinhar posturas nos levou a perguntar: 'Por que escrever essa matéria?'. Como disse um dos nossos editores, Harvey Weinstein nem era tão famoso assim. Num mundo onde tanta coisa parece estagnada, como uma mudança social sísmica dessas acontece?"

Oi! Como vocês estão?
Espero que bem, pois hoje quero conversar sobre uma leitura muito rica, que com certeza trará a quem ler conteúdo a reflexão acerca de temas como exploração e abuso sexual no ambiente de trabalho dentro de um literatura não fictícia.


Título Original: Ela Disse - Os bastidores da reportagem que impulsionou o #MeToo

Autoras: Jodi Kantor & Megan Twohey

Ano: 2019

Páginas: 376

Editora: Companhia das Letras

Sinopse

Como duas jornalistas conquistaram a confiança de dezenas de mulheres, expuseram os casos de assédio de Harvey Weinstein e deram um dos maiores furos jornalísticos da década em uma reportagem que alçou o movimento #MeToo à escala global.


Em 5 de outubro de 2017, as jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, do New York Times, publicaram uma reportagem bombástica, que mudaria para sempre o debate sobre assédio e abuso sexual.

A partir de uma longa e delicada pesquisa, elas descobriram que Harvey Weinstein ― produtor de Hollywood responsável por construir e alavancar a carreira de atrizes como Gwyneth Paltrow e Jennifer Lawrence ― não apenas assediava mulheres, mas tinha a seu favor uma rede antiga e eficiente de advogados que comprava o silêncio das vítimas em troca de vultosos pagamentos. A revelação foi o estopim para que outras mulheres ― famosas e anônimas ― compartilhassem suas histórias, fazendo do #MeToo um movimento global e que atingiu praticamente todos os setores da vida pública.

Com uma riqueza de detalhes extraordinária, Kantor e Twohey descrevem os bastidores eletrizantes de uma das reportagens mais importantes da década, refletem sobre o futuro do #MeToo e do feminismo e trazem testemunhos das mulheres que se manifestaram ― pelo bem de outras, das gerações futuras e delas mesmas.

O #MeToo foi um tsunami que liberou ondas e águas represadas há dois milênios. O movimento fala por mim, por você, por todas as mulheres que eram tão sufocadas que nem percebiam que assédio era assédio. ― Heloisa Buarque de Hollanda

Não acredito que uma história tão recente ― e da qual eu pensava que já sabia tanto ― era na verdade um thriller de tirar o fôlego. Meu reconhecimento a Jodi e Megan pela coragem, mas também às mulheres que se arriscaram para proteger as outras e mudar essa cultura. ― Natalie Portman

Um clássico instantâneo do jornalismo investigativo. ― Washington Post

Uma versão feminista de Todos os homens do presidente. ― The New York Times Book Review



Ela Disse é um livro não fictício que toma por base o jornalismo investigativo que tornou as jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey vencedoras do Prêmio Pulitzer. 

Nesta obra, trazem aspectos como o padrão de comportamento baseado em relatos pessoais, a exploração no ambiente de trabalho, a manipulação, a pressão e certo terrorismo às mulheres, o que, após muita luta, veio à tona como uma espécie de bomba-relógio aos sentimentos de revolta e repulsa engavetados dentro dessas, pelo mundo inteiro, das diversas camadas das classes sociais, a impulsionar-se através da hashtag #MeToo em desabafos de vivências próximas às das celebridades e de algumas das ex-funcionárias, por exemplo,  do então produtor Harvey Weinstein que decidiram revelar o que passava-se nos bastidores e em quartos de hotéis.

"O título Ela disse é intencionalmente complicado: escrevemos sobre aquelas que disseram algo, sobre as que decidiram não o fazer e sobre as nuances de quando, como e por quê."

Jodi e Megan tinham passado toda a carreira publicando matérias envolvendo mulheres.

Da primavera de 2016 ao ano 2019, do candidato Donald Trump a então Presidente dos Estados Unidos e a forma com que sempre fora acusado de tratar as mulheres, perpassando por  décadas de suposto assédio e abuso sexual de Harvey Weinstein até o Juiz Kavanaugh, as jornalistas fizeram um percurso intenso, cansativo, porém bem fundamentado através de relatos que obtiveram pela confiança que adquiriram entre conversas em e-mails, pessoalmente ou por telefonemas com aquelas que se colocaram a apontar situações vividas e que lhes causaram mal, mas que definiram não mais deixar em calado, até mesmo por ajudar a tantas outras vítimas desse tipo de constrangimento.


 
" 'Não posso mudar o que aconteceu com você no passado, mas juntas talvez possamos usar sua experiência para ajudar a  proteger outras pessoas' ".
 
Ela Disse é uma obra literária que conseguiu e ainda consegue trazer debates sobre gênero, seus desgastes e distorções.

Mostra o machismo e a união corporativista que se formou contra todas aquelas mulheres, em alguns casos, inclusive, através da arrogância, de ameaças e até mesmo da certeza de impunidade em meio a tamanhas afrontas.

Mas,

até onde seriam oportunismos e denúncias reais os relatos que as jornalistas passaram, depois de um período, a receber com certa frequência?
 
Esse foi outro ponto de alta relevância que elas passaram a considerar no recolhimento de dados.

"Seria possível que alguma delas houvesse sido vítima de Weinstein? O que elas sabiam sobre as experiências de outras? Aquelas mulheres  pareciam perfeitas e intocáveis".

Questionamentos sobre como a mídia conseguiria provar padrões de comportamento tão predatórios diante da força e do poder de homens como Donald Trump, por exemplo, apresentadores de programas televisivos, âncoras de jornais, senadores, juízes...

"As reportagens sobre Weinstein foram como um solvente desfazendo o sigilo, levando mulheres de todo o mundo a revelar experiências semelhantes."

  • Vício em sexo;
  • Troca de sexo por trabalho;
  • Acordos - desligamentos empregatícios por razões morais...
  • ...silêncio.

"Naquele outono, mulheres de todos os lugares e procedências postaram casos com a hashtag #MeToo nas redes sociais, manifestando-se numa nova onda de solidariedade e por vontade própria ..."


Uma leitura importante, bem construída e que deveria fazer parte não apenas da estante de leitores mundo a fora, mas como uma forma de contribuição no que refere-se à nossa construção social e cultural no que diz respeito ao papel do homem e da mulher nas sociedades.

" 'Não vou simplesmente deixar passar em branco', ela disse."

A mim, em alguns momentos, de causar arrepios.

E vocês, já leram?
Gostam de literatura de representatividade?

Bora conversar! ;)

Beijos literários! 

2 comentários

  1. Fiquei mega curiosa, amo essa investigação :D

    https://www.submersaempalavras.com/

    ResponderExcluir
  2. Menina, uma leitura mais que necessária! E que felicidade em ver você por aqui! ;) Volte sempre, viu?! bjinhossss

    ResponderExcluir