O CICLO DO CHÁ

Foto de Pixabay

Por esses dias resolvi dar um crédito à solidão.
Desliguei meu celular, a fim de desintoxicar. Em princípio, achei um tanto difícil. Pensei  que não fosse suportar. Ledo engano! Passei a me reconectar!

Então, vi que deveria ousar! Resolvi, assim, trocar a amarga e acelerada companhia do café, pela leveza, calmaria e simplicidade da xícara de chá.

Logo pela manhã, em companhia da camomila, valorizei o folhear das páginas de um jornal, como fazíamos há tempos atrás.

Vi que poderia escancarar as persianas, abrir de vez as janelas, e sentir finalmente a brisa chegar, e entrar sem pedir licença. Já era hora!

Me permiti tentar alcançar os sons que porventura estivessem mais distantes da minha audição durante o silêncio da madrugada. Fora magnífico!
Latidos, roncos do motor de um veículo ou outro que passasse, grilos, até que simplesmente cheguei ao nada. Ouvi o vazio. E percebi que o sol raiava, para mais um dia se iniciar, exatamente do zero. Com o coração mais leve eu poderia recomeçar o tal ciclo do chá.

E, novamente, folheei jornais, junto da minha mais nova companhia, o aroma da camomila.  Experimentei a brisa, o canto dos pássaros, os sons para mim até então inaudíveis...

... grilos, carros, o nada.

E o sol outra vez a despontar, junto do meu ciclo do chá.





2 comentários

  1. Às vezes é bom mesmo dar um tempo na Internet, ter mais tempo de apreciar os pequenos prazeres da vida, e a beleza da natureza, como o canto dos pássaros e o nascer do sol, que por vezes não damos o valor merecido.

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  2. Sim, é verdade! Eu tenho mesmo tentado me apegar mais nessas simples observações que não nos acostumamos a fazer no dia a dia! é importante à nossa construção. Bjs

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