36/2020: ANNE DE GREEN GABLES

"Eu sempre imagino que meu nome é Cordélia, pelo menos nos últimos anos. Quando eu era menor, imaginava que era Geraldine, mas gosto mais de Cordélia agora. Mas, se for me chamar de Anne, por favor, me chame de Anne escrito com um 'E'. ".
Olá, como estão? Eu não só estou muito bem como eu estava muito ansiosa por finalmente trazer esta resenha!

Eu falo do livro Anne de Green Gables, um dos mais recentes lançamentos que eu tive o privilégio de receber e de me deliciar através da parceria com o Grupo Editorial Coerência. Já digo de antemão que é um dos meus queridinhos de 2020! Bora conferir?!


Título Original: Anne de Green Gables

Autora: L.M. Montgomery

Ano: 2020

Páginas: 320

Editora: Coerência


Sinopse


Anne Shirley é uma órfã muito peculiar. Com a notícia de sua adoção, segue animadamente para Green Gables, na Ilha do Príncipe Eduardo, mas rapidamente descobre que os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert na verdade queriam adotar um garoto que pudesse ajudar nos afazeres da fazenda. Apesar do engano, a menininha ruiva de onze anos conquista sua nova família com suas manias imaginativas e sua dramática — ou romântica — forma de encarar a vida. Seus desafios, contudo, estão apenas começando. Guiada por pensamentos à frente de seu tempo e por uma vontade irresistível de questionar tudo ao seu redor, ela terá de encontrar seu lugar em Avonlea ao mesmo tempo em que luta para se manter longe das encrencas que parecem persegui-la. Além disso, caberá à jovem otimista conquistar também o restante da comunidade, que, composta em maioria por pessoas conservadoras, não está acostumada ao seu espírito expansivo e revolucionário.


"Do oeste, vinham os macios raios de sol da primavera; a partir da visão do leste, era possível vislumbrar as flores brancas das cerejeiras à esquerda do pomar e as bétulas delicadas e inclinadas nas margens do rio, além do espetacular esverdeado do emaranhado de vinhas."
Anne, filha de Walter e Bertha Shirley, nascera em Blongbroke, na Nova Escócia. Perdera seus pais aos três meses de vida. Desde então, vivera até os oito anos de idade com um casal que a vira nascer. Passara por outra família, até chegar ao orfanato.

A menina, rodeada de crianças, porém um tanto solitária, escolhera a companhia dos livros e romances.

Era uma mocinha romântica, tagarela, dramática e imaginativa. Adorável! Contudo, demonstrava dificuldades de aceitação pelo tom avermelhado dos seus cabelos.

Na expectativa de adotarem um menino a ajudar nos afazares da fazenda, Matthew Cuthbert e sua irmã Marilla viveram um contratempo, visto que uma espécie de recado transmitido de forma errônea fez com que acabassem por receberem a bela ruivinha. Em princípio, ficaram um tanto atônitos com o jeitinho falante e especial da menina, que inclusive os deixaram de certa forma assustados.
"Só seja tão boa e gentil com ela quanto for possível sem mimá-la. Eu acho que ela é do tipo que pode se tornar o que você quiser, contanto que ame você".
Uma menina sonhadora, que buscava, em tudo que via, possibilidades para usar sua rica imaginação.



Anne era muito vaidosa. Gostava de enfeitar-se com flores nos cabelos, de usar vestidos com mangas bufantes, embora suas vontades fossem de encontro com as ideias das pessoas que moravam na Ilha do Príncipe Eduardo. Isso também acontecia com seus pensamentos, que eram bem à frente dos daquela localidade e época vivida.
"Ela saiu de seu devaneio com um suspiro profundo e olhou para ele com um olhar sonhador de alguém cujo pensamento voava longe, guiado por uma estrela".
Em sua trajetória, ela conheceu Diana, e tornaram-se melhores amigas. A amizade entre ambas, além de rica e poética, era algo forte, a ponto de firmarem um pacto.
"―Nos próximos anos, a lembrança de nossa amizade brilhará como uma estrela na minha vida solitária, como diz a última história que lemos juntas".
A trama também traz questões políticas do período em questão, como a divisão de pensamentos entre conservadores ― como os Cuthberts ― e os liberais  como Rachel Lynde ― amiga de Marilla, uma senhora bem ativa em diversas atividades na Ilha do Príncipe Eduardo como, por exemplo, a luta pelo direito ao voto às mulheres.


A jovem Anne de Green Gables era um espírito livre, que amava a natureza e, aos poucos, fora cativando aqueles que com ela convivia.

Neste primeiro livro, seu percurso é descrito por L. M. Montgomery nos quatro primeiros anos desde que Matthew a trouxera de Bright River, aos 11 anos, até completar os 15 e tornar-se uma adolescente exemplar em sua essência.
"Com o queixo apoiado nas mãos e os olhos fixos no vislumbre azul do Lago das Águas Brilhantes que a janela oferecia, ela estava longe, na linda terra dos sonhos, ouvindo e vendo nada além de suas maravilhosas visões."
A escritora consegue perfeitamente nos enredar através dos devaneios imaginativos da peculiar Anne, nos conduzindo por seu amadurecimento ao longo da narrativa de maneira leve.


Traz ainda como tema a perda e, em seu último capítulo, intitulado "A Curva na Estrada", um fechamento perfeito a se oferecer aos fãs da obra e o que se esperar das aventuras da jovem ruiva no o próximo livro. 

Anne tem se tornado uma personagem atemporal, já que caíra no gosto do público, seja através da série na Netflix, mesmo tendo sido cancelada  e/ou, neste caso, através da linda publicação do Grupo Editorial Coerência que, em momento algum deixou a desejar, ao que nos parece, em todo o trabalho, desde a edição à publicação, seja nas artes, na revisão e na tradução, que estão impecáveis.


Uma leitura que, mesmo tendo uma descrição bem densa, oscilando entre suavidade e força, não se torna cansativa, já que as peripécias de Anne são tão bem retratadas que conseguem cativar ao público-leitor.
"Quando saí da Queen's, meu futuro parecia se estender diante de mim como uma estrada reta, e eu pude visualizar muitos marcos ao longo dessa trajetória. Agora há uma curva na estrada. Não sei o que vou encontrar nessa curva, mas acredito que serão boas surpresas. Essa curva é fascinante, Marilla.  Fico imaginando como será esse caminho: tonalidades grandiosas de verde, luzes e sombras suaves, novas paisagens, novas belezas... e então novas curvas, colinas e vales.".
Um Clássico da Literatura Estrangeira Infantojuvenil porém, qualquer pessoa, de qualquer idade, pode ler!

E aí, o que acharam?
Já leram Anne de Green Gables? Assistiram à série? O que acharam? 
Eu não vejo a hora de ler a continuidade

Bora conversar?

Beijos Literários!

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