30/2020:A ERA DO ABISMO: O TORNEIO DOS CAMPEÕES (RELEITURA)

"A noite estava perfeitamente normal. Sopros de vento ocasionais, corujas e grilos ao longe, lua cheia e bela, frio aconchegante. Com certeza muitas pessoas estariam sorridentes, saudando a paz naquele momento. Mas a realidade dentro de mim era outra. Uma realidade quente, agitada, a um passo para o abismo".
Olá! Tudo bem por aí? Bom, eu espero que sim, pois estou bem ansiosa para contar pra vocês a proeza que inventei nesta quarentena! ;) 

Em 2018, eu li um livro de Fantasia Medieval que me apresentou a este universo totalmente diferente para mim
Atualmente, passando por um momento um tanto complexo com a escrita e algumas questões que me bloqueavam a tal, decidi me reinventar no Projeto Café com Leitura Blog. Aí eu pensei (porque esta cabecinha não para!): Por que não fazer releituras? Bacana, Ana! Mas então, o que ler?

Eu poderia ler romances, poesias, crônicas, que estão bem próximas da minha realidade de leitora. Mas se a ideia era me desafiar, buscar ousar e me trazer, como também a vocês, algo novo, deveria me aproximar de algum livro na estante que me provocasse. Então, decidi por um que com certeza me instigaria neste processo, já que gostaria de analisar inclusive a minha visão de lá pra cá (quase dois anos depois!), assim como o tal me reinventar no processo da escrita. Para ser mais precisa, li o livro em meados de 2018, mas a resenha saiu em 01 de abril de 2019 ( Resenha 12/2019 ). ;)

Topam me acompanhar? Então bora finalmente conferir a ficha técnica do material! ;)


Título Original: A Era do Abismo - O Torneio dos Campeões

Autor:  Bernardo Stamato

Ano: 2018

Páginas: 364

Editora: Pendragon

Sinopse

"Quando Diablo encontra The Witcher" — Taran Matharu, autor da trilogia bestseller internacional O Conjurador.
"Uma história épica, com enredo muito consistente e personagens ímpares. Em seu primeiro livro, o autor mostra seu talento magistral para a escrita." — Aline Goettems, do site Lost Words.
"Uma aventura tão épica, quanto nerd. Impossível não adorar" — Peter Jordan, do portal Ei Nerd.
A Liga Prateada tem fama de ser a região mais próspera e segura do continente, mas isso não impede que um grupo de aventureiros desbrave suas estradas e proteja o povo de orcs, mortos-vivos e magos insanos. Enquanto Draco e Gladius investigam o assassinato do seu mestre, o guerreiro Marcus cobiça a glória do combate e suas fortunas, a cartomante Rosa busca por sua família perdida, o paladino anão Alberich propaga o ideal da Justiça, a sacerdotisa elfa Ravenlla promove as graças da Liberdade e a kunoichi Zhi Wu protege os mistérios do seu passado. Unidos pelo acaso, eles irão desafiar, não só monstros selvagens, mas também nobres corruptos e cultistas profanos. Conseguirão eles triunfar em meio aos incontáveis desafios da sua jornada? O fim de uma vida dará início a uma saga épica, onde Virtudes e Vícios colidem e aventureiros lutam contra todas as expectativas em um mundo condenado.



Um combate que representaria a luta entre o bem e o mal.

De um lado, o Mestre, de certa forma encurralado por Alastor, seu ex-pupilo, que muito bem usaria contra ele tudo que aprendera.

Sobre tais ensinamentos, foram usados com precisão, talvez até com aprimoramento. Entretanto, não como o Mestre gostaria que fossem explorados.

Até que ponto ousadia equipararia-se às Virtudes numa luta descomunal em que, de acordo com as convicções de Alastor, os Vícios as superariam a ponto de proliferar trevas e mortandade pelo mundo?


Teria, afinal, feito sentido toda a luta do Mestre?
"E é sempre preferível conhecer aqueles que lutam do seu lado."
Narrativas bem elaboradas, com toques de humor, intercaladas entre (ouso arriscar dizer!) nobres aventureiros em busca de vingarem seu Mestre, sim, mas também de protegerem aqueles que porventura precisarem. Um lema havia: nunca por vingança, mas sempre por justiça.

Essa seria a trajetória de dois jovens, Draco e Gladius que, aventurando-se, decidem procurar por abrigo, até que, ao acaso, acabam encontrando e unindo-se a outros promissores personagens que terão presenças marcantes em seus destinos.

Alberich, o anão paladino com seu íbex ― o Barão;
Marcus, um grandalhão que exalava autoconfiança;
Zhi Wu, uma guerreira exótica  e misteriosa ; e
Sehdlon, o elfo.


Draco e Gladius cresceram juntos, receberam os mesmos ensinamentos, querendo pô-los em prática. Ainda assim, tinham suas peculiaridades que seriam perceptíveis, já que Gladius seria de família conceituada, embora seus ideais chocassem-se com os de seu pai.


Draco era um líder nato. Enquanto ele trazia certa sobriedade às missões a que se propunham vivenciar, Gladius, de certa maneira, a "quebrar o gelo" com comicidade, usa e abusa de ousadia em suas batalhas, requerendo, por vezes, espécie de dose de equilíbrio e bom senso de seu amigo.
"Isso é uma coisa que eu e meu amigo Draco temos em comum: não sabemos o que estamos fazendo da vida. A diferença é que eu sei disfarçar isso e ele não".
Fato é que ambos possuem objetivos em comum e querem, cada qual à sua forma, o certo a se fazer. Completam-se. Em parceria, lutam para que os Vícios não mais sobressaiam-se às Virtudes.
"Não enfrentes monstros sob pena de te tornares um deles...".



No caminho desses guerreiros, surgem ainda Rosa, uma bela e bondosa maga que, mesmo tendo o mesmo propósito que eles, o de estarem em uma arena combatendo, gostaria ainda de encontrar sua família e fazer o bem àqueles com quem convive; e Rhavenlla, uma elfa de beleza marcante, com aspecto e características de uma mulher forte, que sabe o que quer.
"Quando sabemos conviver com os defeitos de alguém, nós não nos repelimos e as verdadeiras amizades surgem."
Uma história dividida em atos e entreatos, com a valorização de boas conversas em tavernas.

A cada entreato consta, no verso da página, parte do mapa que direciona o leitor ao percurso de tais dignos combatentes.

Ainda sobre eles, algo que consegui observar através desta releitura foi que, na bem estruturada narrativa de Bernardo Stamato, o leitor consegue sentir o quão esses homens e mulheres demonstram ser comprometidos com o que fazem, parecendo ir além da dedicação, o que transcende nos confrontos.
"Assim que saímos da área das carroças, um grupo de vinte robgoblins veio em formação militar. Ergui minha lâmina e contemplei uma explosão de chamas estourando no meio deles. A cena foi linda. ".
E nesse "Torneio de Campeões", o leitor depara-se com uma narrativa densa em informações relevantes e muito bem utilizadas em seu contexto, quando o autor menciona elfos, goblins, robgoblins, abissais, bruxas, orcs e zumbis, por exemplo, enriquecendo ainda mais a missão de Draco, Gladius e seus parceiros.


Stamato arrisca-se ao empunhar, nos diálogos entre seus personagens, de imponência nas palavras, reforçando ainda mais as características e intenções  de cada um, o que faz com maestria.


"Era assim que eles ficavam quando sentiam o gosto da missão cumprida. Relaxados. Eufóricos. Chatos. Era disso que o grupo precisava. E era disso que eu também precisava. Deles. De cada um deles. Cada um de nós."
É notável observarmos um bonito trabalho de pesquisa por parte do escritor, de forma a nos trazer uma esmera construção de mundos, o que acertadamente nos é conduzido pelo Codex,  sem contar o fato de uma auspiciosa parceria com a Editora Pendragon, num intuito em comum: oferecer ao público-leitor, amantes da Fantasia, ou àqueles como eu, que fui apresentada de forma tão minuciosa, a um conteúdo de qualidade que, com certeza fica como um legado em contribuição à Literatura Nacional.


"― Quem não gosta de uma história de batalha? Quem não aprecia uma canção de guerra? O combate é o momento decisivo de muitas sagas. Por mais que lutemos pela paz, muitas vezes somos obrigados a pegar em armas e proteger nossas famílias e reinos. Desde as crianças aos veteranos, todos apreciamos uma boa fábula e esperamos para ouvir o mais emocionante: os combates! Que este torneio entre para a  história e se torne lenda! E que nossos bravos guerreiros sejam lembrados como heróis do nosso mundo!".

Sobre o autor

Tudo começou ao participar do concurso cultural "Eu, Criatura", tendo ficado em primeiro lugar.

Desde então, não mais parou, escrevendo contos, críticas literárias e textos diversos para sites como Mundo Epic, Filmes & Games e para o site e canal Ei Nerd.
Fundou o Mochileiros do Multiverso no Instagram e no YouTube.



Bernardo Stamato é escritor, tendo dois livros de fantasia medieval/sombria publicados. Atualmente, escreve um horror psicológico. É professor de Escrita Criativa e produtor de conteúdos. Nas redes sociais, você o encontra através do projeto Mochileiros do Multiverso, que aliás, no youtube, dá diariamente dicas de Escrita Criativa e cultura pop sob o olhar de um escritor.


E então, pessoal, o que acharam? Eu realmente me senti desafiada, justamente porque, como disse, é um gênero literário a mim provocativo. Aliás, estilo literário que conheci através da escrita de Bernardo que hoje, além de parceiro, tornou-se um amigo.

Ao finalizar este trabalho, corri na outra resenha para ler e verificar se houve uma considerada evolução em minha escrita. Admito que não soube o que dizer, e até me definir sobre qual gostei mais. 

Me encantei com a anterior, mas observei novos olhares e percepções aqui que na outra não me tinha atentado. Em suma, vejo que valeu! Tanto que quero poder fazer mais isto!  Vale reforçar que também sairá vídeo no canal! :)

Como dito, Bernardo Stamato tem publicado, além de A Era do Abismo - O Torneio dos CampeõesA Era do Abismo - Crônicas do Éden, que aliás digo para aguardarem pela resenha aqui, ok?

Por hoje é isto!
Espero o carinho de vocês aqui nos comentários! 
Beijos Literários!














15 comentários

  1. Eu quase não faço releituras, somente de livros muito favoritos para mim. Mas acho tão interessante e válido justamente por ter essas novas percepções e a gente reparar em mais coisas durante a leitura. Preciso fazer mais.
    Gostei muito do post, suas considerações e também pq é um gênero que é novo para mim. Com certeza gostaria de conhecer mais.

    bjs

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    1. Simmm, me foi instigante reler esse livro justamente por ser um tipo de leitura que me desafia. Bjs

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  2. Eu amo fazer releituras, inclusive, em 2017, fiz um projeto assim no blog, muitos livros que faço resenha, são de releituras. A era do Abismo não conhecia e já comecei gostando pela capa e conversas em tavernas é comigo mesmo e quando tem humor, melhor ainda.

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  3. Nossa, que projeto legal você fez! Não sabia mesmo e fiquei interessada em conhecer! Sobre a Era do abismo, sim, a capa é mesmo perfeita, assim como a escrita do autor e toda a sua proposta para esta saga que ganhou meu coração, já que fui apresentada à Fantasia Medieval Sombria com esse livro em 2018. Super indico a leitura não apenas desse, mas dos demais materiais de Bernardo Stamato. Bjs

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  4. Acho que poucos foram os livros que reli durante minha vida de leitora. Mas é realmente incrível quando um livro nos marca por anos, seja por sua provocativa, por sua capa, pela época da vida que estávamos quando lemos a obra... Achei bem legal esse desafio que vocês, inclusive de ver sua resenha anterior. Eu mesma vi o quanto evoluí como resenhista (se é que posso me chamar assim) no decorrer dos anos e até tenho vontade de fazer uma atualização das resenhas mais antigas. Mas prefiro deixá-las como estão, pois se não fosse por elas, eu não teria crescido. =)
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  5. Gente que lindeza, achei alguém que faz releituras de livros como eu KKKK
    Mais gostoso é pegar detalhes que a gente não pegou na primeira leitura!
    Adorei a sua resenha, ainda mais sendo de um tema fora da sua zona de conforto e reler assim realmente é um desafio! Parabéns!

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  6. Oi, Ana!
    É sempre bom se desafiar e ler gêneros pouco explorados, vi a live e vi que você disse que não lê muita ficção científica também, né? Tenta explorá-los mais, certeza que você vai se apaixonar!
    Aliás, sobre essa narrativa, achei muito interessante e gosto de ver como a ficção fantástica de hoje se preocupa com o universo, bem tolkiniano. Mas achei estranho as personagens femininas serem, antes de tudo, descritas pela aparência bonita. :(

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  7. Ah, Ana! Que postagem fantástica! Esse livro é um espetáculo e como você já bem sabe, eu sou muito fã da literatura fantástica. :) Então, já adorei conhecer esse livro também Rsrs. Simplesmente adoro ler fantasia medieval e é uma experiência excelente. Fico
    tão feliz que esse livro de fantasia
    medieval tenha te apresentado
    a este universo totalmente diferente pra você. Fiquei curiosa. Enfim, gosto muito dessa variedade que o universo literário nos proporciona para ler o que der vontade haha. Por isso, aprecio fazer releituras também e ler o que bate aquela vontade de fazer a leitura. Melhor ainda, se for um bom nacional e de autores que a gente admira, né? Inclusive, estou aqui muito honrada pra ser Beta do seu livro e pra conhecer a sua escrita. Ansiosa!

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  8. Não gosto muito de fazer releituras, mas achei uma ótima ideia! Estranho como é diferente a impressão que temos de livros e afins, depois de anos que lemos. Parece que nossos ideais da época mudaram, ou até mesmo evoluíram. Gostei da temática do livro, parece ser muito interessante. O livro entrou pra minha lista de TBR.

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  9. Oi, Cláudia. Nossa, lendo tua resenha senti uma nostalgia.. dos tempos que eu jogava RPG medieval.. taverna's, mapas, goblins, elfos.. eu tinha uma personagem maga chamada Rose hahahah quase igual a maga Rosa dessa trama...
    Adorei a ideia de vc reler e resenhar novamente... Eu volta e meia faço releituras...

    Tschüss 🤗

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  10. Oi Ana! Espero que se encontre bem.
    Eu achei muito legal sua ideia e sua relação com o livro. Ficou muito legal o post. Muito íntimo. Achei bem especial!!!
    Eu acho muito legal a proposta da editora Pendragon. Estou sempre de olhos nos autores deles. Mas eu não conhecia essa obra.
    Preciso ressaltar que eu sou a louca da releitura. Eu me recuso passar uma vez só por lugares que tanto gostei.
    Beijão

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  11. Oiiie amiga! Que saudades eu estava de visitar sei cantinho <3 nossa que fotos LINDAS a desse post! Eu amei! Eu quero ter o abro de fazer releituras, acho muito válido revisitar os universos que nos agradam. Ameiii o seu post *-*

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  12. Oi Ana, tudo bem? Também estava com saudades do seu cantinho. Mas saiba que sempre te acompanho lá no instagram e vejo quando lança algum vídeo. Quanto a releituras faz tempo que não faço nenhuma. Primeiro porque a rotina está bem corrida, segundo porque a lista desse ano está um pouquinho imensa. Não tenho conseguido ler tão rápido quanto antes então dou preferência a desenvolvimento pessoal e livros de parceria. Esse livro não conhecia mas acho legal sair da zona de conforto. Um abraço, Érika =^.^=

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  13. Oi Ana!! Nossa, adorei a ideia do seu post. Mas olha, sou suspeita nesse assunto, viu. Eu sou a louca das releituras. Se eu olhar pra estante e o livro me olhar duas vezes, acabou: "E Lá Vamos Nós!". Achei muito legal vc poder considerar o que sentiu agora com o que colocou em sua resenha de um ano atrás. Objetivo alcançado!

    Bjos

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  14. Olá!
    Eu nunca fiz releituras, mas tenho tentado mudar esse fato. Eu sempre acabo adiando e nunca releio algum livro. Mas acho super interessante para lembrarmos dos fatos que mais gostamos, e perceber algumas coisas que passamos batido na primeira leitura.
    Eu pretendo reler o livro O amor é para os fortes, pois foi um livro que me marcou muito.
    Não li esse livro que você releu e foi bom conhecer melhor da história.
    Amei o post, beijos

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