29/2020: POR LUGARES INCRÍVEIS

"Quero dizer que talvez você nunca tenha sonhado em conhecer Indiana, mas, além de a gente fazer isso por causa do trabalho, e eu ter me oferecido pra ser sua dupla _ tá, encurralado você_, o que eu acho é o seguinte: tenho no carro um mapa que praticamente pede pra ser usado, e existem lugares que precisam ser vistos. Talvez ninguém nunca vá até lá nem valorize esses lugares nem se dê o trabalho de pensar o quanto são importantes, mas talvez até o menor deles tenha algum significado. Se não tiverem pros outros, talvez tenham pra gente."
Olá, como vão? Espero que bem!
Hoje quero conversar com vocês sobre um livro que li e que me deixou simplesmente parada no tempo, pensativa sobre tantas questões que nele são abordadas, principalmente quando você é educadora, e arrisco ir além: mãe de adolescente.

Eu falo de um livro que atualmente teve a sua adaptação lançada na Netflix, e que tem gerado até certas polêmicas quanto às diferenças entre livro e filme.
Bora conferir sobre qual obra estou me referindo?


Título Original: Por Lugares Incríveis

Autor:  Jennifer Niven

Ano: 2020

Páginas: 336

Editora: Seguinte
Sinopse

Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, a garota se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e chamado de “aberração” por onde passa. Para piorar, é obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular.
Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: conhecer lugares incríveis do estado onde moram. Ao lado de Finch, Violet para de contar os dias e finalmente passa a vivê-los. O garoto, por sua vez, encontra alguém com quem pode ser ele mesmo, e torce para que consiga se manter desperto.




O livro Por Lugares Incríveis, que gentilmente recebi através da parceria com o  Time de Leitores 2020do Grupo Companhia das Letras, me acompanhou em um processo de leitura que posso considerar fabuloso ao meu enriquecimento enquanto leitora.

A obra conta a história de dois jovens, Theodore Finch e Violet Markey,  que se conhecem de maneira um tanto irreverente. No livro, eles se esbarram na torre do sino da escola que estudam, já no filme, enquanto ele corre, hábito diário do rapaz, depara-se com a colega em pé sobre a ponte próxima ao local onde sofrera um acidente de carro com sua irmã Eleanor, de dezenove anos, e que causara sua morte tão precoce, fazendo com que sinta-se culpada.

Finch é um jovem  que luta o tempo todo contra o que chama de apagão. É como se seu cérebro não desligasse. Uma das maneiras que encontra para manter-se desperto, como sempre é mencionado, é compor e transcrever em pedaços de papel (post-its) as anotações que vêm à sua cabeça ou citações. Geralmente as fixa na parede de seu quarto. Dentre as citações, estão frases de Virgínia Woolf.
"A parede é um lugar pra manter o controle dos pensamentos, na velocidade em que vêm, e lembrar deles quando vão embora. "
Tem certa obsessão pela morte, talvez por suas tristes vivências desde a infância. No caso de seu relacionamento com o pai, separado de sua mãe, usa de humor sarcástico o tempo todo.

Com regularidade toma atitudes radicais, como se quisesse mostrar a todos que têm razão quando o chamam de Finch Aberração, mesmo que aquilo nitidamente o cause desconforto. Com tais reações, insiste em demonstrar constantemente estar no controle. Em seu cotidiano, representa diversos personagens que marcam suas características ou, quem sabe até, como gostaria de ser, dependendo de seu humor a cada dia.
"Acordado, sim; mas completamente vazio, como se alguém  tivesse drenado meu sangue".
Por encontrar Violet de formas extremamente inusitadas (tanto no livro quanto no filme), acaba por sentir uma forte necessidade de aproximar-se, como jamais imaginara. E a descreve. Seus olhos são o que mais lhe chamam  a atenção.
"... seus olhos são de um verde-cinza que lembra o outono. São olhos que me prendem. São grandes e impressionantes, como se pudessem ver tudo. Por mais que sejam ternos, são inquietos, um olhar direto, do tipo que enxerga você por dentro, o que percebo claramente, mesmo através dos óculos".
 

Por ter sofrido drasticamente com a perda de sua irmã mais velha, Violet Markey sofre com pesadelos constantes e espera pela formatura para logo poder sair de Indiana, local onde a narrativa é ambientada. Antes disso, sonhava com o Curso de Escrita Criativa da Universidade de Nova Iorque.

Juntas, tinham um site, e ali escrevia _ sua notável paixão _ que fora estacionada com o falecimento de Eleanor.
"Além do mais, naquele instante em que atravessamos a barra de proteção, minhas palavras também morreram".
Antes, fazia parte do Grêmio Estudantil, da equipe de torcida, e era vista como bela e popular nos corredores da escola, ao extremo oposto de Finch.



Durante uma aula de Geografia, o professor sugere que os alunos busquem conhecer lugares em Indiana que marquem a vida de cada um, visto que aquele lhes seria o último ano na escola, já que dali, cada qual estaria seguindo seu caminho para universidades distintas.

A atividade proposta e a insistência do rapaz em realizá-la com ela só fazem com que, a cada novo passeio, permita-se, gradativamente, conhecer mais. Os dois começam a achegar-se e, aos poucos, ele a provoca a sair de suas atuais zonas de conforto criadas após o acidente e a perda de sua irmã. 
"Digo a mim mesmo que todas as cores estão ali, e isso me dá uma ideia.  Penso em compor uma canção, mas em vez disso ligo o computador e mando uma mensagem para Violet. Violet você é todas as cores em uma, em pleno brilho".
Como dito no início da resenha, com a adaptação da Netflix, algumas polêmicas relacionadas às diferenças perceptíveis sobre a obra foram descritas.  Contudo, sobre sua essência, deve-se ressaltar pontos que são abordados e que merecem todo destaque  a marcar este material tão bem escrito por Jennifer Niven.

Por Lugares Incríveis é um drama da literatura infantojuvenil que traz questões muito afloradas aos adolescentes: 

  • o evidente distanciamento de Finch e sua família, o que, em contrapartida, observa-se o oposto no lar de Violet, que tenta reconstruir-se após a perda de Eleanor; 
  • os rótulos que tão nitidamente são marcados na trama, levando o leitor a identificar casos de possíveis transtornos mentais, o isolamento desses jovens, somados à depressão, ansiedade e, o que me deixou muito pensativa: a possível suspeita de o rapaz ser bipolar, o que mexeria ainda mais internamente com ele, impondo-lhe, de certa forma, uma acentuação considerável em sua baixa autoestima;
  • a procura por grupos de apoio a tais questões relacionadas à saúde mental na adolescência;
  • Ideação suicida.
"O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa".
Em sua nota, ao final da obra (o que aliás sugiro não burlarem!), a escritora menciona seus reais motivos e inspirações a trazer aos leitores uma história mais provocativa, que deixe uma mensagem forte, entretanto não aleatória, que de fato nos faça pensar.

A gente inclusive consegue verificar a importância da família e da escola na vida diária desses jovens tão envoltos às mídias sociais e tão distantes de nós, caso permitamos. Fica ainda a relevância, a real importância da proximidade, do diálogo com eles, como maneira de apoio aos seus enfrentamentos intrínsecos num período de suas vidas tão complexo como a juventude.

Vale ainda, a qualquer idade, nos conhecer, e descobrir quais são os nossos próprios rótulos, e tentar saná-los.



"Olho para ela longamente. Conheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmo de ir embora.".

Sobre a autora 



Jennifer Niven é autora de Por Lugares Incríveis, best-seller do New York Times traduzido para mais de 35 línguas. Também escreveu quatro romances para adultos, três livros de não ficção e o roteiro de Por Lugares Incríveis para o cinema. Cresceu em Indiana e atualmente mora em Los Angeles.



Bom, gente, para fechar, digo da significância dessa leitura a qualquer idade. Sobre o filme, mesmo notando as diferenças, não posso dizer que  não gostei, pelo contrário, assisti três vezes (rsrs). E assistiria novamente!

Em breve também sai vídeo no canal com minhas impressões e comparativos entre a obra em caráter literário e a adaptação para as telinhas.

Me contem aqui:  Já leram Por Lugares Incríveis? E já assistiram ao filme? O que acharam? Notaram as diferenças? Concordaram? O que pensam sobre livros com esta temática? Bora papear!

Beijos literários!


14 comentários

  1. Essa semana li muitas resenhas desse livro e todas apaixonadas pela propostas e com pessoas emocionadas pela leitura, acho isso bonito, quando algo nos empolga tanto que expressamos de forma tão visceral. Conheço a obra e apesar de achar um bom livro de entretenimento, sei que tem o poder de despertar muitos corações com sua mensagem.

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  2. Olá!!
    Também temos resenha lá no blog do PipocaNerd.com do Por Lugares incríveis. Amamos o livro INCRÍVEL e com certeza virou o nosso querido. Parabéns pela resenha!!

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  3. Amei o livro mas confesso que ainda não tive coragem de ver o filme!!! Temos falado tanto na importância de nos conhecer, de seguir nossa intuição...Quem sabe com livros assim as pessoas comecem a se permitir olhar para o outro...A prestar atenção na nossa intuição, ser mais coração, mas, não deixar a razão e sim encontrar um equilíbrio...
    Bjs

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  4. É um hábito ruim, mas acabo julgando o livro pela capa (na vdd nem é hábito ruim e sim estratégia de edição, mas esse não é o assunto). Acaba que a semelhança com as capas dos John Green, que detesto, me fez correr milhas de distância desse título. A resenha me gerou um certo interesse, mas vou me arriscar a assitir ao filme primeiro. Até, bjs.

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  5. Oi, Ana
    Esse livro parece ser incrível! Eu comprei ele há alguns anos atrás, mas quem leu foi minha irmã. Eu tinha super interesse mas ela me deu um spoiler do que acontecia, e eu acabei perdendo esse interesse. Mesmo assim é uma obra linda, delicada e cheia de reflexão. Amo a escrita da Niven e quero ler mais obras dela.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  6. Já li várias resenhas positivas sobre esse livro, mas ainda não o li, acredita? Devo assistir o filme esse fds, pelo menos assim fico sabendo parte da história, para comprar com a leitura depois. =)
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  7. Olá.

    Eu já vi muita gente falando desse livro, mas ainda não tinha parado para reparar sobre o que se tratava. Vejo por sua resenha, que apesar de ser um livro voltado para jovens, toca em assuntos fortes e com responsabilidade. Achei, por suas descrições, os personagens bem aprofundados também. Fiquei interessado por saber mais da história. Vou colocar na minha lista de leituras.

    Abraços
    www.blogdecaranasletras.blogspot.com

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  8. Adorei conhecer um pouco melhor essa história tão falada e famosa atualmente que é Por Lugares Incríveis! Eu ainda não tive a oportunidade e nem ânimo para conferir essa história nas telinhas e nem no livro. Já que estou em uma fase onde estou evitando obras que possam abalar o meu emocional, sabe? Mas assim que eu sair dessa, talvez eu confira. Porém, só de ler as suas palavras e opinião sobre a obra já senti toda a emoção que a obra contém e aqueceu meu coração. Achei excelente esse seu blog post belíssimo. Muito bom!

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  9. Tive a chance de ler esse livro há 4 anos. Peguei sem muitas expectativas, e ele me arrebatou. História intensa, bem escrita com uma trama sensacional. Até me assustei quando disseram se tratar de literatura juvenil. A temática é séria e adulta. Gostei do livro e da resenha.

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  10. Oi Ana, tudo bem? Confesso que antes da adaptação o livro nunca tinha me chamado atenção. Aliás, somente no ano passado é que comecei a acompanhar mais de perto o lançamento de adaptações. Assisti o trailer porque gosto muito dessa atriz e salvei na minha lista. Porém, comecei a ver duas semanas atrás e não terminei ainda. Num primeiro momento não senti "química" entre os personagens. Quanto aos temas listados por você acredito que atualmente são muito mais comuns do que quando eu era adolescente. Nunca soube de algum amigo que tenha pensado em suicídio. Mas a questão de distanciamento dos pais isso é mais comum. Crescemos, deixamos de ser criança faz parte. Concorda? Um abraço, Érika =^.^=

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  11. Oi, Cláudia. Desde que vi o lançamento, confesso que não bateu vibe pra ler. Mas agora que saiu o filme para Netflix e ele voltou com tudo no hype, quem sabe eu de uma chance, pelo menos vendo o filme, que apesar de diferenças entre ambos os formatos, não deixa de contar a trama em si, ne? Se eu curtir, corro pro livro hehehe

    Küss 😘

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  12. Ana, esse livro é fantastico mesmo. Mas vou te contar que dessa vez o que mais me chamou atenção foram suas fotos. tao linda e delicadas. Amei mesmo seu trabalho

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  13. Eu amei esse livro com todas as forças do meu coração. Ele é lindo, é especial, é triste, e me fez sentir tantas coisas ao mesmo tempo, inclusive fazer reflexões sobre mim mesma. Ao mesmo tempo que ele me deixou muito mal, sinto que esse foi o momento certo para eu ter lido algo desse tipo.
    Quero muito comprar essa nova edição, pois eu amo livro em capa dura e amei esse aspecto meio monocromático dele. Fora a luva do filme, que eu também gostei, mesmo achando que não tem toda a profundidade do livro.

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  14. Olá
    Meu contato com a obra foi através do filme e eu gostei muito, mas quero muito ler o livro, parece ser ainda mais belo.
    Essa edição está muito linda.

    Vidas em Preto e Branco

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