14/2020: VOZES DO JOELMA - DIÁRIO DE BORDO - DIA 03: OS TREZE (MARCUS BARCELOS)

"Ninguém, nem mesmo o filho da mãe mais pessimista do mundo poderia imaginar que aquele prédio, logo o Joelma _ chique, imponente, praticamente uma criança perto dos seus irmãos de pedra do centro de São Paulo _ seria palco daquele inferno todo."
Oi, gente, como vão?
Hoje é dia de sair a resenha do terceiro conto do livro Vozes do Joelma: os Gritos que Não Foram Ouvidos, que aliás também está no canal!


No conto “Os Treze”, o escritor Marcus Barcelos nos apresenta a história de seu Amilton da Correia, um homem que, chegando aos 80 anos, revela experiências sombrias que viveu em sua vida.

Amilton de Amaro da Correia, conta a sua trajetória de vida _ a de um menino crescido em casa humilde, filho de Guilhermina Aparecida de Amaro da Correia e de Jorge da Correia, um empresário falido do ramo das construções que abandona a sua mãe que, mesmo lutando para criá-lo com dificuldade e dignidade, acaba sofrendo de depressão, o que a mata aos poucos.

Para ajudar no sustento da casa, o menino começa, já aos oito/ nove anos, a fazer "bicos" pelas redondezas, ficando, com o passar do tempo, conhecido como Amilton "Faz-Tudo".

Aos 33 anos, estava só, sem pai, nem mãe, talvez sem perspectivas, com uma triste relação com a morte, mas também com um senhor chamado Ernane, que contribui e muito para para sua mudança de olhar após o falecimento de Dona Guilhermina, visto que, antes do acontecimento, Amilton via a vida de forma tão dura, tão amarga, que não enxergava probabilidades de melhoria em sua rotina.

E é no Cemitério São Pedro que, mesmo envolto à tristeza e à insegurança, inclusive financeira, pela perda de sua mãe, que ele reencontra seu Ernane, que no passado teria vivido junto dele, ou quem sabe, sob seu prisma, por culpa de Amilton, algo muito ruim, porém, de certa forma, na chance que haveria de vingar-se do rapaz, mostrou-lhe ensinamentos que iriam de encontro com o que talvez teria aprendido de maneira contrária em sua árdua forma de viver. Ao contrário do que esperava, aquele senhor  ajudou-lhe no enterro de sua mãe, deu-lhe emprego, até que tornaram-se amigos.

Com seu Ernane, Amilton aprendera, mesmo que de maneira inusitada, que às vezes precisamos ajudar por ajudar, sem esperar em troca.
"Eu era apenas um reflexo do que havia vivido. A personificação da amargura".
Contudo, acreditava fielmente na praga que seu pai havia lhe rogado antes de sair de casa e sumir pelo mundo:  que  ficaria sozinho, o que novamente lhe encucou na manhã de sexta-feira, dia 1 de fevereiro de 1974, visto que seu Ernane o incumbiu de assumir no cemitério as suas funções, pois iria de encontro com sua esposa, Dona Lúcia, no Edifício Joelma, local onde ela trabalhava. Com o terrível incêndio, de lá ambos nunca mais voltaram.
"Achamos que as memórias que ficarão para sempre conosco serão as mais importantes e inesquecíveis, no entanto, quando perdemos um ente querido, só o que nos vêm a cabeça são aquelas passagens corriqueiras, a antiga rotina e os dias sem grande relevância, daqueles que sabemos que sentiremos mais falta...
O conto de Marcus Barcelos é divido em três etapas: Centelhas, Incêndio, e a parte em que Seu Amilton nos retrata o motivo pelo qual o escritor dá tal nome ao texto.

Em Cinzas nos é narrado algo que aos nossos olhos seria surreal, e que mexe profundamente com o imaginativo do personagem.

Naquele fatídico dia em que o Edifício Joelma arderia em chamas, um inspetor da polícia procurou os responsáveis pelo cemitério a fim de notificá-los sobre o recebimento e o sepultamento de 13 corpos que foram encontrados dentro de um dos elevadores na tragédia.

A partir daquele momento, não apenas Seu Amilton, mas ainda os demais funcionários do Cemitério São Pedro passaram a ter noites de sono perdidas em meio a pesadelos, corações palpitantes, escutas de vozerios infinitos em suas cabeças e ouvidos, além de choros e muitas lamentações consideradas inexplicáveis. Tais visões eram compartilhadas...

... Afinal, o que de fato queriam essas 13 almas ?

Sobre a escrita de Marcus Barcelos, posso dizer que a impressão que tive de seu trabalho, no caso de tal conto, foia de um estilo narrativo marcado por intensidade, repleto de detalhes, porém em toque certo, suficientes a deixarem-nos atentos a cada página.

Sobre o autor

Nascido e criado no Rio de Janeiro, Marcus Barcelos é graduando em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá.
Ávido por literatura e escritor amador desde os 10 anos de idade, possui diversos textos, contos, resenhas, crônicas e poesias publicadas na internet e em antologias publicadas por diversas editoras. Tem como inspiração os grandes mestres do terror e suspense Stephen King, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft.
Além da paixão por literatura, Marcus também tem paixão pelos esportes. É treinador de boxe da Federação do Estado do RJ e surfista nos finais de semana. Ou sempre quando tem onda boa.
Sucesso no Wattpad, com mais de 400.000 leituras, “Horror na Colina de Darrington” é seu primeiro romance publicado.

E aí, o que acharam do conto de hoje? 
Eu a-do-rei! 
Uma história incrível, geradora de muitos rumores até hoje e que o escritor tratou com louvor até chegar a nós, leitores, o que somos gratos!

Por hoje é isso, pessoal!

Beijos literários!


5 comentários

  1. Lembro de assistir sobre o incêndio no Joelma naquele programa Linha Direta e sempre achei muito assustador. Já li também sobre a história das 13 almas e acho ao mesmo tempo que me dá medo, acho triste. Não conhecia esse livro é já vou ler os posts sobre os outros contos, mas só por esse já parece bem interessante.

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  2. Menina, me lembrei esses dias quando alguém comentou lá no canal!Os contos são mesmo muito bem escritos e bem pesquisados. Vale a pena! Bjs

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  3. Oi Ana!!!
    Fui em uma tarde de autógrafos e um dos autores estava presente...Acabei não comprando o livro, porque não sei se terei coragem de ler, mas confesso que lendo seu post, me arrependi...
    Abraços

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  4. Esse foi um dos meus contos favoritos do livro! Por tratar da parte das 13 almas que sempre foi algo que despertou meu interesse e atenção em pesquisas realizadas e ainda por trazer mais a narrativa, com a vida do personagem. Realmente trouxe muita intensidade.

    bjs

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  5. Esse conto está sensacional, Barcelos mandou muito bem no impressionismo da narração, deixando seu conto assustador e curioso ao mesmo tempo. Gostei demais de ter lido.

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