12/2020: VOZES DO JOELMA - DIÁRIO DE BORDO - DIA 01: OS MORTOS NÃO PERDOAM (MARCOS DEBRITO)

Olá, como vão? Hoje eu finalmente estou me sentindo realizada por iniciar um projeto pessoal referente a uma das minhas leituras de novembro do ano passado. Eu falo de Vozes do Joelma: Os Gritos que Não Foram Ouvidos, publicado pela agora parceira do "Café", a Faro Editorial.

É que na verdade sempre quis relacionar as postagens daqui, com cinco vídeos, um de cada conto contido no material, além das apresentações do escritor Tiago Toy, que não deixaram a desejar, por sinal.

Hoje, para começarmos, está saindo vídeo no canal, assim como a resenha aqui e trechos no Instagram, sobre o conto Os Mortos não Perdoam, do escritor Marcos DeBrito.  

Mas que tal, para nos situarmos, também checarmos a ficha técnica e a sinopse do livro? 
Vamos conferir!

Título Original: Vozes do Joelma: os Gritos que Não Foram Ouvidos

Autor:  Marcos DeBrito, Marcus Barcelos, Rodrigo de Oliveira, Victor Bonini e Tiago Toy

Ano: 2019

Páginas: 288

Editora: Faro Editorial
Sinopse:

Marcos DeBrito, Rodrigo de Oliveira, Marcus Barcelos e Victor Bonini são autores reconhecidos pela crueldade de seus personagens e grandes reviravoltas nas narrativas. As mentes doentias por trás dos livros A Casa dos Pesadelos, O Escravo de Capela, Dança da Escuridão, Horror na Colina de Darrington, Quando ela desaparecer, O Casamento, Colega de Quarto, e da série As Crônicas dos Mortos, se uniram para criar versões perturbadoras sobre as tragédias que ocorreram em um terreno amaldiçoado, e convidaram o igualmente perverso Tiago Toy para se juntar na tarefa de despir os homicídios, acidentes e assombrações que permeiam um dos principais desastres brasileiros: o incêndio do edifício Joelma. O trágico acontecimento deixou quase 200 mortos e mais de 300 feridos, além de ganhar as manchetes da época e selar o local com uma aura de maldição. Esse fato até hoje ecoa em boatos fantasmagóricos que envolvem a presença de espíritos inquietos nos corredores do prédio e lendas sobre lamúrias vindas dos túmulos onde corpos carbonizados foram enterrados sem identificação. Algo que nem todos sabem, é que muito antes do Joelma arder em chamas no centro de São Paulo, o terreno já havia sido palco de um crime hediondo, no qual um homem matou a mãe e as irmãs e as enterrou no próprio jardim. Devido às recorrentes tragédias que marcaram o local, há quem diga que ele é assombrado por ter servido como pelourinho, onde escravos eram torturados e executados. E sua maldição já fora identificada pelos índios, que deram-lhe o nome de Anhangabaú: águas do mal. Se as histórias são verdadeiras não se sabe... A única certeza é que a região onde ocorreu o incêndio tornou-se uma mina inesgotável de mistérios. E, neste livro, alguns deles estão expostos à loucura de autores que buscaram uma explicação.

"A paz reinava no taciturno casarão. O luar atravessava as janelas para desenhar as sombras dançarinas das cortinas balançando ao vento. Até os ruídos mais baixos podiam ser escutados: o estridular dos grilos no jardim, os insetos em busca de sangue no corredor... O choro feminino no banheiro..."
Baseado no famoso e trágico triplo assassinato ocorrido na década de 1940, na Avenida Nove de Julho, no Vale do Anhangabaú, o conto de Marcos DeBrito retrata um caso que tem sua narrativa entre os dias 01 e 23 de novembro de 1948 sobre personagens da vida real que são trazidos para o universo fictício. Aqui, conheceremos, conforme narrativa do escritor, Pablo, estudante de Química e auxiliar de um de seus professores na USP.

O jovem era apaixonado por Isaura, mas tinha a desaprovação de sua família: sua mãe, Berta, e suas duas irmãs _ Amélia, de 19 anos, e Maria Fernanda, que sofria de esquizofrenia e dependia do auxílio de seu irmão na compra de seus medicamentos, já que, pela doença, não poderia trabalhar. Das irmãs, Maria Fernanda era a que mais atormentava seu irmão, o que o fazia justamente com o consentimento de sua mãe.

Tantos eram os aborrecimentos, descasos, implicâncias e deboches até que, talvez sem planejar o suficiente, ele contratou alguns homens para cavar um poço em seu quintal, o que causou surpresa em sua mãe, mesmo isso sendo por ele ignorado. 

Em 04 de novembro de 1948, ele cometera o que ficou conhecido como O Crime do Poço. Matou sua mãe e suas duas irmãs, usando o espaço para enterrar seus corpos.

Entretanto, Pablo caíra em tantas contradições, que acabou despertando a curiosidade e a desconfiança de alguns, ocasionando a sua demissão no trabalho, o fim de seu relacionamento com Isaura e um constante uso de entorpecentes, deixando-o cada vez mais transtornado, até que, em 23 de novembro do mesmo ano, a polícia, através de denúncia, decidira ir até o local, o Casarão da Família Camargo, para investigar. Ansioso, ele  permanecia a se contradizer, demonstrando ansiedade e suor constante, até que os corpos foram descobertos. 
"Os primeiros raios de sol expulsaram as aparições, mas não foram capazes de acalmar seus nervos. Temia sair da fortaleza construída com cobertores e travesseiros e ser levado pelas mortas".

Vendo que daquela situação não se sairia bem, Pablo resolve dar fim a tudo que lhe fazia mal e lhe causava tanto sofrimento.

Nesta mesma localidade, décadas mais tarde, aconteceria o caótico acidente com o Edifício Joelma

Seria de fato uma maldição?

Segundo pesquisas, o nome Anhangabaú, do tupi-guarani, vem de anhanga-ba-y, que significa rio de malefícios do diabo. Os índios acreditavam que as águas do riacho Anhangabaú provocavam doenças físicas e espirituais.

Sobre a escrita de Marcos DeBrito, afirmo que não a conhecia, tendo sido apresentada neste conto no livro Vozes do Joelma: os Gritos que não Foram Ouvidos. Com isto, através de sua expressão, que mescla toques de terror com palavras muito bem adotadas a serem condizentes à proposta do material, o autor arrisca-se a usar de certa poética, a intercalar-se com maestria ao thriller. Ousado, não acham?

Sobre o autor: 


Marcos DeBrito nasceu em Florianópolis e mudou-se para São Paulo em 1998 para estudar cinema. Formado pela FAAP, é diretor e roteirista. Seu curta-metragem Vídeo sobre tela, de 2001, ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Gramado. À sombra da lua é seu primeiro romance.




E então, gente? o que acharam da resenha? E do vídeo lá no canal? Já leram Vozes do Joelma: os Gritos que não Foram Ouvidos ou alguma outra obra do autor? 

Contem aqui! estou bem curiosa para saber!
E me aguardem, pois amanhã teremos o segundo dia do nosso Diário de Bordo de Vozes do Joelma! Por hoje é isso! espero que tenham gostado!


Beijos literários!


3 comentários

  1. Achei genial a ideia de mesclar contos com a tragédia que aconteceu no edifício Joelma. Confesso que não conhecia a história do triplo assassinato que aconteceu anos antes, realmente tudo nos faz pensar que o local era amaldiçoado, é tudo muito chocante.

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  2. Menina, aprendi muito dessas lendas, histórias, ou como prefira chamar! Foi uma excelente leitura que fiz em novembro do ano passado, tanto que reli esse mês para realizar o projeto! Um beijo!

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  3. Eu acho incrível quando algum autor consegue criar personagens cruéis e sem escrúpulos. Não sei porque, mas ler esse tipo de livro, com protagonistas que não são heróis, me deixa muito feliz, pois acho que é muito fácil escrever sobre alguém com muita fibra moral, mas escrever sobre alguém sem escrúpulos... sempre é mais profundo hehe. Fiquei muito curiosa pra conhecer a escrita desse e dos outros autores, e para saber mais das histórias!

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