11/2020: #12MesesComClarice - CONTO: UMA GALINHA

"Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada".
Olá, pessoal! Como vocês estão? Eu não poderia estar melhor! Afinal, através do projeto #12MesesComClarice, que participo junto dos blogs parceiros Conduta LiteráriaLeitura Enigmática e Sobre a Leitura, vamos mais uma vez conversar  sobre resenhas de contos da autora, extraídos do livro Todos os Contos, publicado pela Editora Rocco . E hoje o conto é  irreverente, e me fez pensar bastante.


Conto de duas páginas, apenas, nos traz, inusitadamente, a trajetória de um animal _ uma galinha _ num dia de domingo, em sua luta por sobrevivência.

Na história, a escritora mostra a batalha consistente daquele ser pela vida, e realça a necessidade, o urgir por sua liberdade, mesmo não tendo ali com quem contar.

Essa sensação de fuga, de risco eminente, parece assemelhar-se a proximidade à nossa realidade racional (ou até mesmo sentimental!).

Em algumas vezes, Clarice coloca com firmeza que ela _ a galinha _ não seria nada, um ser que não sugeriria sentimentos, sem aparentes instintos, “morno” em temperamentos, pois não expressava nada (mas será que não expressara mesmo?).

Lendo esses trechos da narrativa, senti tais colocações da autora como uma espécie de provocação a nós, leitores.

Ainda assim, tendo esse ser solitário no mundo sido capturado de forma algoz, em sua inconsciência acerca de sua solidão e inexpressividade de sensações, safou-se pela pureza de uma menina, sendo “salva pelo gongo”, passando a ser acarinhada por um tempo, acolhida por aquela família, principalmente, a partir do momento em que ela coloca um ovo.

Mesmo bem perto da realidade de muitos de nós, ao cercear seu fim, por certo tempo deu a volta por cima, porém, tendo sido seu triste destino apenas adiado. 
Mas, será que certa conformidade por sua parte não teria trazido-lhe um comodismo, o que de fato determinaria seu fim?

Em análise a essa tão curta história, consegui enxergar a fuga deste animal a relações entre a a mulher, a maternidade, seus anseios, muitas vezes retraídos, por liberdade e as limitações  ao feminino na época em que a escritora o escreveu (e que quem sabe ainda persiste nos dias de hoje próximo no meio da atual multidão?)
"E então parecia tão livre. (...) Estúpida, tímida e livre".

Reflexivo, não?? 
E aí, o que acharam? Gostaram de mais essa irreverência da autora? 
Me contem aqui!
Por hoje é isso! Espero que tenham gostado!

Beijos literários!

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