01/2020: O MUNDO DE SOFIA

"A alma experimenta, portanto, um 'anseio amoroso' de retornar à sua verdadeira morada. A partir de então, ela passa a perceber o corpo e tudo o que é sensorial como imperfeito e supérfluo. Nas asas do amor, a alma deseja voar 'de volta para casa', para o mundo das ideias. Ela quer se libertar do cárcere do corpo".
Olá! Como estão? 
A primeira resenha do ano não poderia ser outra senão a deste livro que se arrastou na classe dos "encalhados", "arrastados" na estante desde 13/11/2010!
Simmm! Ele foi "meta literária abandonada" por todos esses anos (risos) até que, em 2019, coloquei como um dos meus propósitos a sua conclusão, estando ele inclusive na Maratona Literária do Desespero,  que participei no final do ano. 

Eu falo de O Mundo de Sofia,  do escritor Jostein Gaarder
Chega de conversa fiada e vamos ao que interessa!


Título Original: O Mundo de Sofia - Romance da história da Filosofia

Autor: Jostein Gaarder

Ano: 1995

Páginas: 560

Editora: Companhia das Letras

Sinopse


Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para uma tal de Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.

O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição”, o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental – dos pré-socráticos aos pós-modernos - , ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um intrigante thriller que toma um rumo surpreendente.




A história  retrata Sofia Amudsen e seu encontro com a filosofia de uma maneira um tanto inusitada, propositadamente ou não, através de Alberto e Hermes, seu cão.

Perto de completar 15 anos, Sofia começa a receber bilhetes anônimos, com perguntas aparentemente simples, como "quem é você?" ou "de onde vem o mundo?", mas que começam a enredá-la, aguçando-lhe curiosidades, reflexões, questionamentos, propósitos da filosofia, talvez, mas que naquele instante inicial, a fizesse inclusive passar a aguardar diariamente por tais mensagens, o que a instigaria ainda mais por querer saber quem afinal estaria fazendo aquilo.

Seu nome era Alberto Knox
"Agora ela queria encontrar o filósofo, ainda que tivesse que correr até Atenas".
Assim, todo o interesse de Sofia, bem como indagações acerca de questões cotidianas são  incitadas através dessas cartas que Alberto as enviava com ensinamentos filosóficos que perpassavam desde os filósofos da natureza até inquirições sobre Deus, presente, passado, futuro...


... até que uma moça da sua idade, Hilde Knag, que, coincidentemente ou não,  faria  aniversário junto dela aparece na trama de forma inusitada.
"Não era extraordinário estar viva naquele momento e ser personagem de uma aventura maravilhosa como a vida?"
Mas quem afinal seria essa jovem, que receberia cartões postais de seu pai, endereçados da ONU, além de diversas mensagens e até presentes, tão enigmáticos, a ponto de trazerem certa ligação com Sofia, chegando, estranhamente, em seu endereço?
"_'Ser ou não ser' não seria, portanto, a questão central. Importante seria perguntar também o quê somos. "
Em minhas concepções de leitora, observo a partir do capítulo intitulado "Berkeley"  , em transição ao capítulo "Bjerkely", aproximadamente da página 305  em diante, como se a história recomeçasse sob as concepções e olhares de Hilde, como uma espécie de marco zero na história, atraindo a atenção do leitor às viradas que podem ocorrer na história.

Tal espécie de "ponto central" tem seu início com o aniversário de 15 anos de Hilde, e de Sofia, quando a segunda mencionada se vê em meio a um temporal repentino e acaba por encontrar a sua mãe. A personagem chora muito, concomitantemente, pega-se interpelando se não estaria vivendo um pesadelo.
Sendo o ledor, com isto, conduzido à rotina diária de Hilde e todas as descobertas e aventuras a que seu pai a conduz por meio de Joinsten Gaarder.


E, para fechar,  as perguntas que deixo aqui para possíveis cogitações de vocês são:

1- Seriam Sofia e Hilde a mesma pessoa?

2- Que ligação tão intensa teriam entre si?

Sobre minhas considerações, sinto-me com leveza n'alma por ter conseguido findar com êxito essa minha meta literária do ano que passou.

Sempre fui fascinada por essa possibilidade de leitura, já que o autor consegue inserir em seu romance a história da filosofia, entrelaçando-se a mistérios. 

Entretanto, ao mesmo tempo que tais incógnitas envolvendo as histórias de Sofia e Hilde me intrigavam e me prendiam, em certos capítulos sentia um peso de informações, quando o autor unia os enigmas contidos em sua narração aos ensinamentos filosóficos que Alberto transferia à Sofia. Por vezes tinha a sensação de uma leitura mais pesada, carregada de contextos que, em minha humilde concepção, acabavam tendo destaque em demasia. Não que considere a história da filosofia irrelevante, de forma alguma. Apenas sentia um "arrastar" da leitura em dados momentos da trama.


No mais, o livro, que foi escrito na década de 1990, até hoje é muito conhecido, valorizado no meio educacional, inclusive, devido à bagagem de informações conteudistas e de cunho inclusive cultural que pode nos oferecer, visto que traz de maneria muito bem contextualizada a luta filosófica do homem, desde os filósofos  da natureza até um encadeamento de caráter mais universal, filosoficamente falando, no seu último capítulo.

Desta forma, não haveria como não iniciar o ano trazendo esta importante, intensa e profunda indicação literária, que com certeza traz, através dos tempos, uma forte contribuição à literatura.

Por hoje é isto!
Espero de forma sincera que tenham gostado.

Me contem aqui: Já leram O Mundo de Sofia,  do escritor Jostein Gaarder? E o que acharam? Não leram!? E teriam vontade de se aventurarem nos segredos de Sofia Amudsen e Hilde Knag? Quero saber! Deixem aqui nos comentários! ;)

Beijos literários! 



9 comentários

  1. Nossa, não sabia que a história fosse assim, reflexiva e filosófica. Pensei que fosse uma obra de ficção, mas esses tipos de leituras, mesmo sendo pesada, nós acrescentam muito conhecimento. Com certeza foi uma experiência e tanto. Bela resenha.

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  2. Um livro como esse inegavelmente é bem inspirador. Só de ver a sua resenha fiquei encantada pensando no quanto não deve ser prazerosa essa leitura. Eu não conhecia e confesso que pelo título não daria muita importância, mas agora.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Olá, Ana! O Mundo de Sofia, é um dos melhores livros com teor filosófico super valioso e repleto de reflexão, que eu já pude ler na vida. Acabei precisando ler para um trabalho de uma aula de filosofia, na época. E não me arrependo de dar uma chance para essa leitura! Gostei muito de ter essa oportunidade maravilhosa de relembrar essa leitura aqui com você. Excelente!

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  5. Oiii tudo bem??

    Nao poderia abrir o ano com a resenha do livro mais perfeito de todos. Adorei suas análises e os quotes escolhidos, remete bem a sua visão do livro e é sempre interessante conferir.
    Espero reler em breve.
    Amei a resenha
    Bjus Rafa

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  6. Essa leitura deu uma boa história hahaha. Mas, finalmente concluída com êxito!!
    Faz tanto tempo que a fiz e não lembro de todos os detalhes. Sei que na época foi uma leitura mais complexa para mim e eu quase desisti.
    Essa pergunta que você fez sobre Sofia e Hilde foi uma indagação que fiquei na cabeça. Será?

    bjs

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  7. Olá, boa noite... eu li esse livro na década de 90. Na época era apaixonada pelo tema filosofia e as mitologias gregas e quando soube do tema do livro, não sosseguei enquanto não o devorei. Mas confesso que não encontrei ali muito com o que lidar. O autor soube unir elementos da história e da ficção alinhavando tudo com a filosofia. E o autor foi mestre em criar uma história dentro da história.
    O autor era professor e foi hábil em perceber os dilemas de seus alunos e começou ali a desenhar o mundo de sofia. Genial... enquanto silogismo categórico de forma tipica, ou seja, uma bela premissa. Mas não voltaria a ler, sei lá, na época eu era apaixonada e fascinada pela filosofia, hoje eu sou apenas alguém que é grata a ela por ter me dado respostas com as quais lidar, como todo jovem, era disso que eu precisava e foi o que eu tive e o livro é sobre isso.
    Bem, quanto a Sofia e Hilde, elas não são as mesmas pessoas... a Sofia e Alberto são personagens de Hilde e seu pai mas, de tão apegada que Hilde fica com sua personagem (eis a parte interessante da ficção) que é quase real e é nesse ponto que eu acho que o autor se equivocou, na madeira como construiu a trama. Ficou difícil compreender as duas personagens e por isso a confusão, que faz com que muitos pensem/acreditem que são a mesma pessoa. Pior, atrapalha uma das idéias que ele tenta passar que é a de conhecer a si mesmo.
    Eu, confesso, não ter gostado da leitura. Para mim, ou faltou ficção ou sobrou história e filosofia. rs

    bacio

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  8. Li esse livro em 2016 e ainda me lembro do quão boa foi a leitura! Aprendi mais filosofia com ele do que em sala de aula, fora todo o romance que é construído durante as "aulas"da Sofia. Queria viver uma aventura assim!
    Nas últimas páginas eu já tinha conseguido entender bem o que exatamente o autor queria passar para a gente. Que saudade, vontade de ler de novo <3

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  9. Meu professor dizia que é um ótimo livro para começar a ler filosofia. Pena que você achou as partes mais filosóficas meio arrastadas. Eu comecei a ler mas não estava no clima. Vou dar uma chance outra hora!

    Au revoir ♡
    Tecer Flores e Cheirar Livros

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