51/2019: HEX

Às vezes, você faz sacrifícios por causa de Black Spring."
Olá, pessoal! Como estão? 
Hoje a resenha é da minha primeira leitura do mês de outubro, livro que li com a galera do Darkside Readers Team e que gerou muitas indagações ao longo do debate.
Bora conferirem comigo?!



Título Original: Hex

Autora: Thomas Olde Heuvelt

Ano: 2018

Páginas: 368


Editora: Darkside Books


Sinopse

Toda cidade pequena tem segredos. Mas nenhuma delas é como Black Spring, o pacato vilarejo que esconde uma bruxa de verdade do resto do mundo. Os moradores sabem que não se deve mexer com ela. Assim como aconteceu com as bruxas de Salem, Katherine Van Wyler foi condenada à fogueira. Mas a feiticeira sobreviveu e continua rondando a cidade, mais de trezentos anos depois. Seus olhos e sua boca foram costurados, para impedir que ela lance maldições fatais.

Os habitantes de Black Spring controlam seu passos através do HEXApp, um aplicativo de celular, 24 horas por dia. A vigilância constante aumenta o clima de paranoia na cidade, enquanto um grupo de adolescentes desafia as regras e resolve zoar a bruxa para ver se ela é tão perigosa quanto dizem...


Black Spring é o vilarejo onde a trama muito bem narrada por Thomas Olde Heuvelt acontece. 

Lá, uma bruxa acorrentada há  cerca de 300 anos, com olhos e bocas costurados, é monitorada 24 horas por dia no Centro de Controle Hex, através do aplicativo Hexapp, que controla todos os assombrosos passos dela, já que teria, segundo lendas locais, amaldiçoado o lugar.

Ela, era Katherine Van Wyler, que fora condenada por bruxaria no século XVII, e passou a ser conhecida por todos como a "Bruxa de Black Rock" .
"As pessoas  resistiam desesperadamente à ideia  de sua própria morte, olhando para longe o máximo que podiam e evitando o assunto. Mas em Black Spring elas conviviam com a morte. Elas a levavam para dentro de casa e a escondiam do mundo ... e, às vezes,  colocavam um poste de luz em seu caminho".
Steve e Jocelyny, eram pais de Tyler e Matt, pessoas que vieram de fora para morar em Black Spring na juventude. Fato é que, aquele que entrasse na localidade, ficaria fadado a estar ali até seus últimos dias de vida.


Sobre as aparições da Bruxa, o que se observa é que todos já estavam acomodados com aquela maldição, mas Tyler, jovem e cheio de ideais, não aceitava tal situação em que conviviam. Ele queria, junto de sua câmera, levar tudo às redes sociais e buscar ajuda, de alguma forma.

Mas será que seria uma boa ideia? 

Afinal, aquele que fosse de encontro com todos os "combinados" poderia, por julgamento, ir parar em Doodletown, sanatório da cidade para os que ousassem ir contra o Conselho e abrir o segredo sobre a Bruxa de Black Rock.
"A magia existe nas mentes daqueles que acreditam nela, não em sua verdadeira influência sobre a realidade."
Algo que me deixou de certa forma muito pensativa com toda a narrativa foi essa mescla de presente e passado, tecnologia - avanços X retrocesso, além de, em pleno século XXI, as pessoas ainda agirem como se estivessem no século XVII. Falava-se o tempo todo em democracia, mas, afinal, onde ela estava? Em Black Spring é que não era! 

Lá as pessoas eram como "...um bando de fanáticos religiosos medievais", conforme Steve, um dos personagens centrais na trama, delineava.


Eles tinham um Decreto de Emergência, escrito em 1848, em que seguiam fielmente. 
E é com esse documento que o leitor pode confirmar que sim, havia regras, mas quem as ditava o fazia através de atributos de poder.

Vocês conseguem imaginar que em pleno ano 2012, que é quando a trama se desenrola, possa haver tanta semelhança com a Era das Trevas, no período medieval?

A inquisição disfarçada estava ali, naquele lugar...

Falava-se em Deus, mas o que prevalecia nitidamente eram as atitudes carnais, o homem em sua pura essência malvada, cega por poder...
"Assim como em tantos contos de fadas, a parte mais cruel é frequentemente esquecida: não é a parte da bruxa, mas a parte com o pobre lenhador chorando a morte de seus filhos".

Enquanto uns tinham medo de Katherine, outros mostravam-se inconformados com o que viam, alguns, no entanto, veneravam-na, e outros, entretanto, conviviam, já acostumados, com sua sórdida e aleatória presença. 

• Abuso de força e poder;

• Apedrejamento em praça pública como forma de punição e amedrontamento;

• Sério relacionamento abusivo;

• Fanatismo religioso;

(auto)flagelo;

• Suicídio...
"O relógio na parede dizia que passavam poucos minutos das cinco da tarde. O vento se divertia no estacionamento, chicoteando um plástico contra as grades dos radiadores de carros que reluziam nas luzes de Natal. Tudo parecia normal, mas não estava".
Os açoites seriam motivo de certa festividade naquele lugar. 
Parece que alguns esperavam por aquilo desde o dia em que nasceram, como um espetáculo. Outros, enojados, infelizmente não tinham coragem de se opor.

Seria tudo isso algo natural do ser humano ou alguma travessura da bruxa?

Ela seria silenciosa em suas atitudes?

Quando  decide se mostrar àquela cidade, o caus se instauraria em mortes inacreditáveis. 

Mas o que será que ela queria, afinal?


Quais eram as suas reais intenções?

Foram essas as minhas indagações e considerações sobre uma leitura que fluiu de maneira eficaz para mim! 


Sobre o autor

Thomas Olde Heuvelt é autor de cinco romances e muitos contos fantásticos. Já foi publicado em inglês, holandês, chinês e, agora, em português. Ganhou o Harland Award (prêmio holandês na categoria de Melhor Fantasia) em três ocasiões, e o Hugo Award de 2014 na categoria Melhor Conto.

Olde Heuvelt escreveu seu romance de estreia aos dezesseis anos e estudou Língua Inglesa e Literatura dos EUA em sua cidade natal, Nijmegen, e na Universidade de Ottawa, no Canadá. Desde então, ele se tornou autor best-seller na Holanda e na Bélgica.

Considera Roald Dahl e Stephen King os heróis literários de sua infância, que incutiram nele o amor pela ficção macabra. HEX é a estreia de Olde Heuvelt como romancista. A Warner Bros. está atualmente desenvolvendo uma série de TV baseada no livro.


Mas e vocês? Já leram Hex? O que acharam? Ficaram intrigados, assim como eu e tantos colegas do grupo de Leitura Coletiva? O que estão lendo no momento?
Me contem! Vamos papear!

Beijos literários!

12 comentários

  1. Muito interessante essa mistura de passado vs presente, o autor conseguiu criar uma narrativa peculiar que prende a atenção e se sobressai por ser tão diferenciada. É de se fazer pensar como crenças antigas ainda se fazem tão presentes nos dias atuais, a ponto de mudar toda a estrutura de uma cidade.

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  2. Esperava que essa obra fosse mais sombria, mas sei lá, vejo que o escritor dosou tudo na hora certa, houve momentos arrastados de leitura, mas também me surpreendi em outros. Só que o ponto principal dessa história é mostrar que a maldade está no ser humano e não em assombrações.

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  3. Eu já vi várias vezes esse livro aqui e ali, mas ainda não tinha parado pra ver do que se tratava. Sua resenha me deixou muito curiosa, esse mix de presente e passado que você mencionou parece muito interessante, muito curioso misturar em um mesmo contexto o clima de caça as bruxas da Idade Média com monitoramento através de apps. Entrou pra minha lista de leituras, com certeza!

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  4. Deve ser um livro incrível! Adorei a resenha e, como sempre, as fotos!

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  5. Amiga, foi muito bom ler esse livro com vocês. Ele já estava há um tempo na minha lista.
    E me surpreendi bastante, pois no fim, ele foi bem diferente do que imaginava. E quanta coisa o autor nos trouxe, não é mesmo? Leitura incrível.

    bjs

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  6. Sempre resenhas ótimas e adoro essa ideia de grupo de leitura, deve ser super edificante perceber como outros percebem as mesmas coisas. Fotos incríveis e esses assuntos sempre acabam atraindo a atenção não? Mais um para a lista :)

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  7. Que fotos são estas??? Maravilhosas!
    Mas passo esse livro...
    Beijinhos

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  8. Olá, minha cara... eu já tinha ouvido falar desse livro, mas ainda não tinha lido uma resenha dele. Me pareceu bastante interessante. Gostei. Vou colocar na lista de dezembro porque a de novembro já não cabe mais nada. rs

    bacio

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  9. Menina li uma resenha desse livro semana passada e, gostei tanto que mesmo não curtindo terror já quero ler esse livro. Vou ver se compro na black, bjs.

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  10. Olá, Ana.

    Eu já conhecia esse livro pela capa, mas não sabia da história que ele carrega.
    Adorei essa mescla de tecnologia que o autor fez em meio a esse retrocesso que há nessa cidade.
    Confesso para você que também fiquei com pena dessa bruxa e curiosa para saber o seu desfecho.

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  11. Oi, tudo bem? Faz pouco tempo que conheci esse livro e fiquei bem curiosa pela leitura. Primeiro por trazer bruxas como tema central, depois pelos segredos guardados numa cidade pequena. Até imaginei como sendo enredo de um filme ou série. E essa edição? Ficou bem diferente. Trabalho incrível da Darkside! Um abraço, Érika =^.^=

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  12. Adorei a resenha super completa e caprichada, Ana! Gostei bastanre de conferir mais a respeito da sua primeira leitura do mês de outubro. Esse livro que você leu com a galera do Darkside Readers Team. Achei perfeitas e intrigantes as indagações geradas ao longo do debate. Muito bom!

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