47/2019: #12MesesComClarice - CONTO : GERTRUDES PEDE UM CONSELHO

"Ora sentia uma inquietação sem nome, ora uma calma exagerada e repentina. Tinha frequentemente vontade de chorar, e o que em geral se reduzia à vontade apenas, como se a crise completasse no desejo."
Oi, pessoal! Como uma das leituras do mês de setembro, hoje trago para vocês as minhas impressões sobre o conto Gertrudes Pede um Conselho, do livro Todos os Contos, de Clarice Lispector, publicado pela Editora Rocco

É que, como tenho sempre mencionado aqui, eu, do Café com Leitura Blog junto dos amigos Fernanda, do Blog Conduta Literária, Amanda do Blog Sobre a Leitura e Gustavo, do Blog Leitura Enigmática , por todos os meses desse ano temos tido a alegria de lhes trazer nossas singelas opiniões sobre contos da autora com o projeto #12MesesComClarice2019. Me acompanham?! ;)



Gertrudes era uma jovem de dezessete anos cheia de interrogações e incertezas sobre seu futuro. Estava envolta em problemas domésticos, com a família. Sentia-se uma incompreendida!

Sonhava, ora acordada, outras não,(sei bem como somos nesta idade!)

Fato é que ela queria mudar alguma coisa. Em si, talvez, e para tal, resolveu procurar um emprego. Seria apenas coisas da puberdade?
" 'Libertar' era uma palavra imensa, cheia de mistérios e dores."
Liberdade era a palavra inicial, que marcava a vida desta moça, que por vezes surpreendia com doçura, leveza, e outras trazia aspereza e força em seus atos. 

Ela resolve então buscar ajuda, um emprego, uma "doutora", alguém que pudesse lhe ouvir nessa sua imensidão de sentimentos, confusões internas, certo vazio n'alma...

Ela só queria ser ouvida, analisada, e pedia conselhos...


...seria mesmo apenas coisa da idade?


Esperava ansiosa pela entrevista que teria chegando a fantasiar. 

Ela queria mudar! Confusa, procurava por algo que talvez ainda não soubesse o quê, e se perdia em espécie de balbúrdia interna.

E essa incompreensão alheia a fez começar a enxergar o que antes não conseguira, o significado e o poder da palavra mulher! E viu que existia!
"Possuía um segredo do qual as pessoas nunca  poderiam partilhar. E ela própria, pensou, só participaria da vida comum com algumas partículas de si mesma, algumas apenas, mas não com a nova Tuda, a Tuda de hoje..."
Confesso que ao ler este conto me vi um pouco nessa margem que a jovem narrada se via na adolescência, e descobri que Clarice, ao escrever, escolhia seu público: o das mulheres que sentem-se de certa forma distantes, ou talvez (in)diferentes, isoladas em certa camada da sociedade, ou como eu, como Tuda (perdoem-me aqueles que não se identificam, ou que não concordam!), aquém, alheia, mulher, mas em certo grau de complexidade. Creio que por essas e outras, sempre disse que escrevia para mim! E sei que como eu, e Gertrudes, há muitas por esse mundo a fora...


Bom, é isso por hoje pessoal! Espero que tenham gostado!
Beijos literários!

9 comentários

  1. Parabéns por mais uma ótima resenha e as fotos estão lindas! Esse tipo de leitura é maravilhosa, sentir que de alguma forma não é só vc que sente aquilo, de alguma forma conforta, sinto isso em muitas músicas :)

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  2. Já vi esse livro em uma biblioteca aqui na minha cidade! Muito bom saber que estou tão próximo de obras tão lindas como a de Clarice ❤❤❤

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  3. Oi Ana, faz até vergonha eu falar isso, mas eu nunca li nada de Clarice acredita?! Mas alguns livros dela já estão na minha listinha de desejados. Bjusss, ótima resenha.

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  4. Olá.

    Pelo menos para mim, é impossível não comparar um pouco os pensamentos da personagem com os que eu tinha na mesma idade que ela.
    Acho que eu me identificaria com a Gertrudes durante toda a trama. Não conhecia esse conto da autora, mas agora fiquei curiosa.

    www.pactoliterario.blogspot.com.br

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Primeiramente, preciso dizer que eu gosto demais sempre que tem post novo desse projeto espetacular #12MesesComClarice, aqui no blog! Em segundo lugar, eu acho essa escritora maravilhosa e a frente da época dela. Imagina, só? Uma personagem sonhadora e incompreendida que resolve buscar liberdade e começa por ir atrás de um emprego. Ainda mais, nessa época em que o machismo não era criticado como deveria e as moças que queriam ter essa liberdade ( principalmente financeira) e ter o próprio sustento e construir uma vida para si, eram mal vistas pela sociedade com tradições machistas e de mente fechada. Gertrudes pede um conselho, preciso reler essa história da Clarissa Lispector. Adorei a sua resenha! Melhor indicação!

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  7. Adoro leituras aonde nos identificamos, aonde vemos que mais pessoas se sentem de certa maneira 'perdidas' e buscando verdades com nós... Com certeza Gertrudes está atrás de respostas assim como todas nós!

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  8. Aaaa que post lindo (como sempre, NÉ?)
    Amei
    Esse mês nossa leitura na escola foi A hora da estrela de mesma autora, amei mais nem tanto hahahaha mas a escrita dela é bem poética

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  9. Olá!!
    Infelizmente, eu ainda não li nada da Clarice, mas tenho muito interesse. Espero em breve ler, tenho vários na minha lista de desejados
    Esse ainda não conhecia, mas adorei ler sua resenha, fiquei bastante curiosa para ler.
    Beijinhos

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