44/2019: #12MesesComClarice2019 - CONTO: CARTAS A HERMENGARDO

"Eu queria te dizer que ter paixões não é viver belamente, mas sofrer inutilmente. Que a alma foi feita para ser guiada pela razão e que ninguém poderá ser feliz se estiver à mercê dos instintos".

Uma mulher que, isolada em seu quarto,  por seu amor, ressalta muito às graças a Deus. 
A gratidão à Ele por ter pão, uma cama a se deitar e comida parecem suprir-lhe a observância de um homem que mora próximo: Hermengardo.

Mas será mesmo que supria?? 

Ou será que essas cartas seriam uma forma de lhe dizer que, na verdade, sua falta seria uma maneira de reclamar ao criador que, em verdade, não bastavam-lhe pão, uma cama a se deitar e estar viva, porque ela queria mesmo era estar junto de seu amado? Desabafos...

...Então, ...
... orar apenas lhe bastaria? 

Ou haveria em si mágoa, ao invés de gratidão?



A fé de Idalina, anexada à suas pitadas de humilhação em suas "cartas" a Hermengardo, parece nos mostrar certa abdicação dos prazeres, do amor, regadas a  inconstâncias e dúvidas.  Questões a se resolver...

Seriam orações versus sentimentos do mundo?

"E  é por isso que eu te digo: abandona o que destrói. A paixão nasce no corpo e não o compreendendo, nós a situamos na alma e nos perturbamos."
Estaria Idalina em busca incessante sobre si mesma? 
Seria para ela o amar  o mesmo que encontrar-se ?

Muitas são as dúvidas e as incertezas na vida de uma mulher que ora mostra-se perturbada entre desejos e paixão, ora quer estar centrada em si, na busca constante sobre seu verdadeiro eu.

Para tal, aconselhar a Hermengardo através de suas "cartas", mesmo que supostamente a distância, poderia ser uma proposta?

Lendo esse conto, como podem observar no trabalho de hoje aqui no blog, encontrei-me num mar de dúvidas, creio eu que junto de Idalina, mulher solitária, a admirar de longe seu vizinho Hermengardo, restando, portanto escrever-lhes cartas, aparentemente não enviadas, como forma de autoexpressão. 

Como costumo dizer ao ler os contos de  Todos os Contos, de Clarice Lispector, publicado pela Editora Rocco, são traços típicos da autora e que me fascinam em sua escrita! 

Coisas de Clarice! 





Bom, pessoal, essas foram as minhas impressões sobre o conto Cartas a Hermengardo, que fez parte da nossa leitura de agosto no projeto #12MesesComClarice2019 , em que eu, do Café com Leitura Blog,  junto dos amigos Fernanda, do Blog Conduta Literária, Amanda do Blog Sobre a Leitura e Gustavo, do Blog Leitura Enigmática   temos tido o prazer de lhes apresentar nosso carinho ao longo de todo esse ano. E espero que estejam gostando!

Sobre a autora

Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.


E aí, gostaram da proposta de hoje? Eu amei, embora tenha ficado cheia de nós na cabeça por conta das cartas de Idalina a Hermengardo!  Muitas foram as reflexões, posso lhes garantir!



E aí, o que acharam?
Já leram Todos os Contos, de Clarice Lispector
Estão gostando do projeto #12MesesComClarice2019 ? Posso garantir para vocês que eu, Gustavo, Amanda e Fê estamos amando! Tanto que logo, logo já sai resenha do próximo conto, referente à leitura de setembro.

Nos aguardem! E nos acompanhem nas redes sociais!

Beijos literários!



2 comentários

  1. O que eu mais gosto nesses posts coletivos a partir de Clarice, é perceber a impressão de cada um de vocês. Espero pelo post e confronto as opiniões com as minhas... eu já não me considero mais leitora de Clarice, embora a tenha lido antes. Mas, não tenho a pretensão de voltar as narrativas dela, por enquanto. Gosto imenso e sua disciplina literária, mas estou em outra fase. Passou aquela sede que sentia ao devorá-la, mas gosto de saber como ela atinge aos leitores.
    Nesse conto, por exemplo, me lembro que o comparei com dois mitos romanos e gregos e achei curioso o recurso usado por ela, mais comum nas crônicas que escrevia para um jornal que para a estrutura literária.
    Enfim, não é o meu favorito, mas me diverti ao ler.

    bacio

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  2. Achei incrível como que Clarice faz suas protagonistas sofrerem com a solidão. Essa personagem se sente tão solitária que começa a escrever cartas para um rapaz que não conhece. Às vezes, lendo esses contos, parece que tem um pouco de Clarice neles. Curti demais sua resenha e o post está lindo, parabéns!!!

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