39/2019: MEU AMIGO DAHMER

"Tudo que se via  da rua era a fachada vazia da garagem, como se a casa em si espalhasse o isolamento de Jeff".
Oi, oi, leitores dark, como vão?
Vocês devem ter observado que hoje os chamei aqui de uma forma diferenciada: "leitores dark". É que eu, do Café com Leitura Blog, junto da Fernanda, do Blog Conduta Literária, da Amanda do Blog Sobre a Leitura e do Gustavo, do Blog Leitura Enigmática criamos um grupo de leituras apenas dos selos da nossa querida Darkside Books. Eu falo do Darkside Readers Team. E junto de nós tem uma galera que não para de chegar! 
Nossa primeira leitura aconteceu durante o mês de agosto. E é sobre ela a nossa resenha de hoje!




Título Original: My Friend Dahmer (Meu Amigo Dahmer)

Autor: Derf Backderf

Ano: 2017

Páginas: 288

Editora: Darkside Books

Sinopse:

MEU AMIGO DAHMER traz o perfil do psicopata Jeff Dahmer quando este ainda era um aluno do ensino médio. O autor do livro foi seu colega de turma nos anos 1970, e conviveu com o futuro “canibal de Milwaukee” com uma intimidade que Dahmer talvez só viesse a compartilhar novamente com suas vítimas. Juntos, Derf e Dahmer estudaram para provas, mataram aula, jogaram basquete. Os dois tomaram rumos diferentes, e Derf só voltaria a saber do amigo pelo noticiário, anos depois. Em 1991, os crimes de Jeffrey Dahmer vieram à tona: necrofilia, canibalismo e uma lista de pelo menos 17 mortos, entre homens adultos e garotos. O primeiro assassinato teria acontecido meses após a formatura no colégio.

Além de remexer nos seus velhos cadernos e álbuns de fotografia, Derf consultou seus amigos de adolescência, antigos professores, os arquivos do FBI e a cobertura da mídia após a descoberta de seus crimes antes de roteirizar MEU AMIGO DAHMER.


Um anti-herói?
Um jovem vítima de bullying na escola?
Ou um jovem problemático e rejeitado  diante da sociedade?
"Tenha pena, mas não empatia". - trecho do prefácio
Desde jovem, Jeff Dahmer tinha certo interesse sombrio e incompreensível por animais mortos e por dissolvê-los em ácido, diferente dos demais garotos de sua idade. Mas o que o atraía mesmo, estranhamente, era saber mais dos órgãos internos desses animais...

Na escola, era aquele típico adolescente que não era notado pelos outros. Não fez amizades  e era um tanto (ou totalmente!) solitário.

Morava com seus pais na zona rural e sua casa parecia o reflexo de sua personalidade.
"Ele caminhava estranho, os braços colados no corpo, os ombros meio pra frente. Uma marcha bem particular".
Anos se passaram, e Dahmer mudou. 
Além de seu mórbido interesse já mencionado, ele se autodescobre...
"Mas o que mais me impressionava no Dahmer era a máscara de pedra que ele tinha no rosto, desprovida de emoção".

Dali, daria o seu "primeiro passo na estrada pro inferno"  - p.58

Fora a sua rotina infeliz em casa, fosse através dos vícios e ainda assim sempre só, Jeffrey Dahmer sentia-se mais próximo mesmoera do Colégio Revere, onde estavam concluindo o ensino médio entre  1977/1978.

Algo muito interessante no livro de Derf  Backderf são nas narrativas muito bem construídas acerca de Jeff Dahmer e toda a sua trajetória. Segundo o cartunista, a obra Meu Amigo Dahmer é totalmente diferente de tudo que já fez e que provavelmente virá a fazer, mas parece que de fato esse era o seu trabalho, o seu legado, e acertou em cheio! 



As descrições sobre o Dahmer daquela época parecem mesclar com a sua vivência na juventude. Para trazer veracidade ao material que realmente queria publicar, Derf Backderf acompanhou e estudou sobre o assassino em série, seu colega de escola, depois de anos. E hoje, com o olhar de um adulto, apresenta ao publico-leitor a história de Jeffrey Dahmer.
"O que provocou este desejo distorcido? De qual parte profunda e fétida da psique borbulhou essa ânsia perversa, tão voraz e potente, que o consumiu tão rápido? O próprio Dahmer era incapaz de explicar a origem".
Backderf também consegue fazer um paralelo entre a sua vida familiar e a do serial killer em questão, nos mostrando as dificuldades vividas em silêncio pelo rapaz. Sem querer justificar, tem-se a impressão que a vida de seu colega de escola em casa fora um caos.


Toda a mescla da vivência com este que mais tarde se tornaria um serial killer em potencial, junto da coletânea de informações acolhidas ao longo de seu estudo, proporcionaram aos leitores um material de qualidade e embasado. De uma leitura incrivelmente rápida e com  rigor em seu conteúdo.

Partindo da literatura estrangeira, com título original "My Friend Dahmer", a Darkside Books  nos traz a biografia de um psicopata, em formato HQ, que faz parte das lindíssimas Graphic Novels da editora.

Sobre o autor


Derf Backderf vendeu seu primeiro cartum, um retrato nu de sua professora da sexta série, por dois dólares a um colega de classe que o utilizou para propósitos indescritíveis. Hoje ele é um dos mais lidos criadores de quadrinhos independentes. O artista e escritor, que trabalha em um estúdio não aquecido no sótão de sua casa em Cleveland, cresceu em uma pequena cidade rural em Ohio, experiência que inspirou suas graphic novels Trashed, Punk Rock & Trailer Parks e o best-seller internacional Meu Amigo Dahmer, que lhe rendeu um prêmio no Festival de Angoulême, França, em 2014, e foi adaptado para o cinema em 2017 pelo diretor Marc Meyers. Saiba mais em derfcity.com. 

E então, gente, o que acharam? É com certeza uma leitura muito intensa, o que também nos promete muita reflexão. Leriam? Eu já estou ansiosa pela próxima leitura do nosso grupo, o Darkside Readers Team. Nos acompanhem!

Beijos literários!

9 comentários

  1. Oi, Ana!

    Eu adorei participar dessa leitura! Que Graphic Novel incrível Backderf fez. Muito bem embasada e eu aprendi demais lendo os extras. Um ótimo material de estudo para quem se interessa no tema "serial killer".
    Que venha a leitura de "Lady Killer"!

    Beijos!
    Amanda

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  2. Gostei muito dessa mensagem do prefácio sobre ter pena, e não empatia. Livros desse tipo true story/crime scene story mexem muito com a gente, e realmente é difícil não sentir emoções conflitantes durante a leitura. Adorei a ideia do clube de leitura também !
    Bjosss

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  3. Também li essa Grafic Novel para uma leitura coletiva, em julho, e foi muito interessante de ver o desenvolvimento de um serial killer. Também li muito rápido, mas achei o material ótimo, não só da Grefic Novel, mas a parte com as notas do autor. Dá pra ver que ele pesquisou a fundo, além das próprias experiências. Adorei a resenha!
    Abraço,
    Liv | Resenhas Caóticas

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Eu adorei que vocês tenham criado um grupo de leituras apenas dos selos Darkside Books! Essa proposta é super bacana! Eu gostei bastante de poder conferir a resenha dessa primeira obra. Eu tenho me interessado muito por Grafic Novels! E acompanhar o desenvolvimento de um serial killer, parece ser muito intrigante mesmo!

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  6. Os grupos de leitura permitem trocar ideias e aprofundar as nossas reflexões sobre os livros, gosto bastante.
    Já ouvi falar desse livro de forma bastante positiva. Confesso que tenho um gosto especial pelo género, estou de olho nele...

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  7. Primeiro, amei a ideia do clube de leitura de vocês e, se me permitir, gostaria de usar sua ideia também, não apenas com uma editora, mas o clube de leitura coletiva. Ficou bem legal a sacada de vocês. ^^ Com relação ao livro, eu não conhecia, mas confesso que fiquei com medo, ainda mais por ser uma história verídica. Não sei qual seria minha reação se um dia descobrisse que um colega de escola estava nos noticiários por causa de um crime. Não sei se escreveria um livro sobre elx...
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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  8. Eu fico impressionada com as obras da Darkside, sempre uma melhor que a outra. Esse livro eu tinha visto a capa, mas nunca parei pra ler Nada sobre. Parece ser uma história incrível e tenho certeza que vou gostar, até pq amo o gênero. Estou lendo Lady Killers, tbm da Darkside

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  9. Olá li a resenha no Leitura Enigmática e gostei da proposta do livro.
    Mas acho que no momento não estou apta a ler o livro, pois assisti uma série bem parecida e fiquei horrorizada. A dark arrasa né, tenho alguns livros da editora que ainda não li e estou louca para ler. Bjus, arrasou na resenha gata!

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