38/2019: CALEIDOSCÓPIO

"Algo em seus olhos me fazia pensar que ela era como um caleidoscópio".
Oi, oi, pessoal! como vocês estão? Hoje é dia de conversarmos um pouquinho sobre um livro que li em julho, durante a Maratona Literária de Fim de Férias.
É um livro que li através de um grupo de leitura coletiva maravilhoso, o Clube Literário Fer Avellar. Eu tenho participado de muitas leituras em caráter coletivo, e até já fiz um vídeo sobre isso no canal. Me têm sido experiências muito bonitas e então compartilhar com vocês as minhas opiniões acerca do que  leio é algo muito valioso!
Bora conhecer mais uma bela leitura!!!


Título Original: Caleidoscópio

Autora: Sue Hecker

Ano: 2019

Páginas: 631

Editora: Independente
Sinopse

Paula Góes Mesquita é uma ex-socialite que sempre colocou os caprichos em primeiro lugar. Imatura e envolta em um mundo de aparências, rejeitou a filha nascida com anencefalia, perdendo assim a chance de ter uma família. Após a morte dos pais, envolve-se com um estelionatário que dilapida todo o mundo luxuoso que a cercava. Desesperada, ela 'pede ajuda a Marco', o ex-marido, que lhe propõe um acordo: ter dinheiro suficiente para viver na simplicidade, desde que trabalhe como voluntária em uma instituição. Será que uma vida modesta e um vizinho tatuado, musculoso e grosseirão serão capazes de derreter o coração de gelo de Paula? Conseguirá ela reconhecer e vivenciar os verdadeiros valores da vida?
“Mal” sempre foi popular entre as mulheres, mas não se prende a ninguém. Acredita que a herança que recebeu do pai, acumulada com muita luta, precisa ser honrada. Contudo, a paz que tanto almeja é colocada em risco quando Paula, uma mulher tentadora e esnobe, muda-se para a casa ao lado de sua mãe. Ele até poderia cobri-la de luxo para conquistá-la, mas acha que a ilustre vizinha merece exatamente o contrário. Resta saber quem entre os dois será o menos teimoso, dando o braço a torcer e abrindo o coração e a vida para as novas e envolventes experiências.



Pensem em uma menina mimada, que tem tudo o que quer ao seu alcance e, para manter sua fama, seu status, faz o que quer e bem entende, sem pensar nas consequências, ou em quem estaria subestimando, ou até mesmo, humilhando? Essa poderia ser Paula Góes Mesquita, uma jovem socialite que, a partir de determinada fase de sua vida, vê todos os seus caprichos, além de sua vida de "Patricinha", serem jogados na lama, precisando começar a rever seus conceitos sobre pobreza, humildade e ter uma vida simples, o que com certeza não lhe seria nada fácil. 

Uma jovem esnobe e até mesmo fútil que, de um dia para o outro, com a perda de seus pais, perderia toda sua fortuna e precisaria viver no subúrbio, algo que jamais lhe imaginaria ocorrer. 

Viver de macarrão instantâneo para ela passaria a ser sinônimo do ápice da miséria!

  • Mas, afinal, será que tudo que nos acontece na vida não teria um propósito a, quem sabe, nos redirecionar e nos fazer rever alguns conceitos? Era isso que ela descobriria a partir de uma mudança tão radical em sua rotina.


Em sua nova casa, num bairro pobre, ela vê, próximo à sua casa, alguém que em princípio tem como petulante, mas que mexe profundamente com seus instintos. Esse lindo homem, ali todo sujo de graxa, era conhecido por todos como Mal mas, na verdade, chamava-se Malaquias Lorenzzo Andrade, alguém que ela não apenas conheceu em seus tempos de riqueza, mas também fez com que passasse por alguns constrangimentos no passado. Ela não o reconheceu, mas ele sim...
"De perto, pude ver o quão linda era, com o rosto fino, o nariz levemente arrebitado, os lábios fartos, atendendo a todas as minhas preferências. Acontece que foram os olhos, onde residia a essência, que me impactaram. Não era a cor de safira que estava me fascinando, mas um desafio estampado neles".
Malaquias Lorenzzo Andrade, vulgo Mal, antes pobre, tornara-se um CEO bem sucedido no ramo de administração, e gostou da possibilidade de se divertir com a situação em que Paula havia criado em sua imaginação sobre ele, deixando que achasse que ele era um mecânico, instigando-a de forma divertida em seu dia a dia enquanto estava de férias na casa de sua mãe, algo que tornou a narrativa da escritora Sue Hecker muito divertida, bem humorada, contudo sem perder a essência do que creio que ela intenta nos passar, pois em todas as brincadeiras do personagem, como as cantadas que ele passava à moça, e aparentemente, com todos os motivos do mundo para se vingar, Mal nos mostra exatamente o contrário: que ainda sentia algo muito forte por Paula, reconquistando-a, mas ainda lhe inspirando ensinamentos, lições que ela com certeza levaria para a vida, o que me surpreendeu como leitora pois, além de uma literatura de caráter também erótico, a autora nos oferece um misto de temas muito relevantes a serem tratados em sua história. 


Um romance que nos faz rir, mas que também balanceia ao leitor um pouco da importância da inclusão, não apenas de crianças com necessidades educacionais especiais, mas ainda das condições sociais daqueles considerados fora da margem social por tantas pessoas. 
"Um dia ouvi uma frase que carrego para a vida comigo: 'Existem três verdades: a de uma pessoa, a de quem a julga e a verdadeira, que é a realidade'".
Ao lado de Mal, que ela aos poucos assume como Malaquias, Paula passa a prestar atenção em coisas mais importantes, e reconhece suas dificuldades enquanto era mãe de uma menininha que nasceu com anencefalia. Naquele momento também precisara de ajuda, mas não havia percebido. Com Mal ao seu lado, viu que a vida poderia ser doce, e que as coisas mais simples da vida também poderiam ter seu valor, o que cabia a ela observar com olhar diferenciado.
"Essa coisa de construção de paredes em volta do coração é coisa de gente problemática e mal resolvida. baita idiotice, para falar a verdade. Onde já se viu colocar empecilho para ser feliz!"
 Fato é que Paula cresceu ao lado dele, virou uma mulher de verdade, aprendendo a sobreviver sem valorizar tanto as futilidades. E se assumiu mãe!



Em 631 páginas que de princípio achei que teria uma ênfase muito maior nas descrições de cenas mais picantes, me surpreendi com uma escrita muito fluida e atrativa, pois foi muito além do que achei ser a proposta. 

Uma leitura nada cansativa, com tantas abordagens importantes de serem levadas a reflexões e que não se tornaram escritas embaralhadas, com assuntos misturados, pelo contrário! Consegui ler com voracidade e pensar nas tramas vividas pelas personagens sem me sentir cansada, confusa ou entediada.
"É engraçado como a vida é como um caleidoscópio. Basta olharmos para ela de outro ângulo que tudo parece mudar".

Sobre a autora 

Sue Hecker é, na verdade, um pseudônimo escolhido por uma grande amiga da autora. Tem 42 anos e é casada com um marido super companheiro, com que tem um filho maravilhoso. Criar estórias e dividi-las com as pessoas começou como um passatempo, que se transformou numa experiência mágica. Ao começar a postar sua primeira criação, nunca, em toda a sua vida, sentiu-se tão amada e querida por tantas novas amigas, conquistadas durante a postagem da estória. Sempre foi uma devoradora de livros e, atualmente, flagra a si mesma sonhando, cada vez mais, em usar sua inspiração para criar mais estórias. Acha incrível como os personagens falam com ela, a todo momento! Na escrita, encontrou a melhor terapia para muitas coisas. Afirma que, em cada palavra que escreve, há mensagens ditadas por sua sensibilidade, que encontra eco em seu coração.


E então, o que me dizem? Gostaram da possibilidade dessa leitura?  Já conhecem a autora e sua escrita? O que já leram? Gostaram? 
Quero saber!

Beijos literários!!!


8 comentários

  1. Esplêndida, amei a resenha, as colocações e as imagens... Obrigada, pelo carinho e apoio. Surto de beijos

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  2. Oiii! Que bom te ver aqui! E felicíssima pelo retorno! Beijocasss!!!

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  3. Amiga, que imagens lindas!!
    Eu gostei muito da premissa desse, pois tem hot na medida certa, além de mostrar os dramas dos personagens e ainda abordar sobre a inclusão.
    Não conhecia e vou levar essa dica.

    bjs

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  4. No início achei que o livro trazia tantos temas que eu iria ficar confusa, mas acho interessante que você disse que a autora conseguiu desenvolver tudo bem, sem fazer uma narrativa cansativa. Também achei bem legal que a autora trouxe um tema como a inclusão das crianças que nascem com algum tipo de deficiência!
    Abraço
    Liv | Resenhas Caóticas

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  5. Achei bem interessante conhecer o enredo do livro. Eu tenho me aventurado em participar de algumas leitura coletivas agora, e tenho gostado bastante da experiência. Parece que ser uma ótima leitura essa obra. Gostei de conhecer as suas impressões e opinião também. Muito bom!

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  6. Oiii!

    Quero muito ler esse livro! Vejo varias pessoas falando bem! Quero muito sua resenha me deixou curioso

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  7. Oie! Não conhecia a autora mas achei o livro muito interessante de diversas formas. A princípio achei que seria mais do mesmo, mas pelo seu relato ele aborda vários temas fortes e valiosos para formação de caráter mesmo. O que chamou bastante minha atenção. Outro ponto positivo é fugir da famosa "mocinha frágil que recupera o homem bom e perdido". Dar personalidade à personagem principal e focar em seu crescimento se tornaram um diferencial em sua resenha pra mim.
    Dica anotada.
    Bjos

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  8. Não conhecia a autora! Tenho tido grandes surpresas com a leitura nacional!
    Adoro livros que fogem dessa curva de "mocinha frágil e indefesa" como a Karina disse...
    Mas acima de tudo, gostei do enredo!
    amei!

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