23/2019: #12MesesComClarice2019 - CONTO: HISTÓRIA INTERROMPIDA

"'Oh, meu Deus, me perdoe, mas a culpa é do verão, a culpa é de ele ser tão bonito e moreno e eu tão loura!'"
Na leitura do mês de maio, no projeto #12MesesComClarice2019, um conto um tanto confuso em sentimentos é descrito por uma jovem loura, que no auge dos seus vinte e dois anos, apaixona-se por um belo moreno, entretanto de aspecto infeliz.

 

"W..." é possivelmente um artista, conforme a narradora,  de aspecto triste e que tinha como característica não abrir-se tanto, o que a deixava sem ações, e ao mesmo com receio de afastá-lo. 

Mexer nas mexas de cabelos negros também era algo marcante em seus trejeitos, além da aparente apatia e silêncio notório que a chamava para si.

Ainda assim, com tantas diferenças e sentimentos difusos, ela gostava dele. 
E mantinha-se inquieta. Contudo, um traço notório que acentuava o ninho de características de "W..." acalentavam o coração dessa jovem que estava no cume de seus vinte e dois anos.
"Ele era moreno e triste. E sempre andava de escuro. Oh, sem dúvida eu gostava dele. Eu, muito branca e alegre, ao seu lado. Eu, numa roupa florida, cortando rosas, e ele de escuro, não de branco, lendo um livro. Sim, nós formávamos um belo par."

E com a inquietude de uma jovem apaixonada e perturbada pela indiferença de seu amor, ela tem uma ideia que preencherá não apenas uma folha de papel, antes em branco, mas também o seu mundo de sentidos.
"'Eternidade, Vida. Mundo. Deus. Eternidade. Vida. Mundo. Deus. Eternidade...'".
Mas com tantas palavras e expectativas de um futuro ao lado de seu amor, um mal lhe aferrece, e um abatimento na alma a sufoca através de algo muito terrível, que a faz colocar em cheque alguns questionamentos acerca daquelas palavras que lhe supunham um amor eterno com "W...". E sentidos , o significado da dor em sua vida e...
"Qual o fio que esses fatos a...'Eternidade. Vida. Mundo. Deus.'"?

Que leitura forte essa do conto "História Interrompida", meu povo!
São as artimanhas de Clarice com o leitor, ocultas em surpresas que surgem nas narrativas de forma inesperada, cativando sucintamente àquele que está disposto a acompanhar sua estrutura audaciosa na escrita.

Uma leitura rápida, mas, de início, não tão fácil em compreensão, diga-se de passagem. Entretanto, com aspectos que conduzem o leitor a reflexões junto da narradora por conta de tamanha desilusão simplesmente por crer que com "W..." poderia algum dia ter um final feliz, o que infelizmente a frustra...



Só para recordarmos, no #12MesesComClarice2019 eu me uni a três parceiros fantásticos, que toparam a cada m~es trazer comigo a resenha de um conto de Clarice Lispector, do livro Todos os Contos, publicado pela Editora Rocco
assim, deixo aqui meu carinho a a Fernanda, do Blog Conduta Literária, a Amanda do Blog Sobre a Leitura e o Gustavo, do Blog Leitura Enigmática, por me acompanharem!

Só para recordar, um pouquinho da biografia da autora:

Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.

Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. 

Por falar em me acompanhar, acompanhem nossas postagens todos os meses do ano e em nossas redes sociais para se inteirarem do projeto!

Me digam: Conhecem o trabalho de Clarice Lispector ?  Já leram o conto de hoje, "História Interrompida" ? E os demais, já por nós trazidos aqui ao longo desses cinco meses? Vocês têm algum conto da autora que tenham gostado muito? Qual? Contem aqui que queremos saber!

Beijos literários!



10 comentários

  1. Eu tenho 2 grandes problemas:
    1. Nunca li Agatha Christie;
    2. Nunca li Clarice Lispector!
    Depois de ler suas considerações sobre o livro do mês de maio, confesso que fiquei curiosa para saber se é o tipo de leitura com a qual eu me identifico e, acho que em breve posso tentar fazê-la!

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  2. Adorei a resenha. Gente tenho tanta vontade de ler Clarice, mas não sei por onde começar...

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  3. Eu amo esse livroooo os contos que são incríveis embora ainda não tenha lido todos, gostei muito da ideia do projeto acho que vou aderir e ler um conto de Clarice por mês 😍

    Ps: Parabéns pelo Post

    leiturasdearuom.blogspot.com

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  4. Oi, amiga!!

    Que post incrível!!
    Ler Clarice sempre é muito fascinante e esse conto mexeu comigo, me levou a várias reflexões e foi um dos que mais gostei até agora.
    Adoro essa parceria!

    bjs
    Fernanda

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  5. Eu vou ser bem sincera, tenho interesse em ler a obra de Clarice Lispector mais pela curiosidade em ser uma autora consagrada da literatura brasileira do que por interesse na obra em si, já que romance não é meu gênero favorito e a impressão que me dá é que a escrita é meio rebuscada e complicada de entender.
    Mas acho que esse livro pode ser uma boa para matar minha curiosidade, já que parece ser uma história bem simples e interessante. Também gostei do jeito que você escreve, achei bem poético!
    Abraço,
    Liv | Resenhas Caóticas

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  6. É até uma vergonha admitir isso, mas eu nunca li nada de Clarice Lispector, acredita? Sempre digo que irei corrigir isso, mas ainda não o fiz. =/ De fato essa é uma história marcante, embora não seja meu gênero literário favorito.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna

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  7. Oi, tudo bem? Sempre que vejo esse quadro sinto um tanto de nostalgia e lembro das minhas leituras para o vestibular. Clarice sempre presente. Essa semana lembrei de você. A Editora Rocco vai lançar uma obra da Clarice com trechos escritos a mão acredita? Partes dos manuscritos da autora estarão nessa nova obra. Estou muito curiosa para ler e ver como ficou a edição. Você soube disso? Depois olha nas redes sociais da Rocco. Beijos, Érika =^.^=

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  8. Estou adorando poder conferir esse projeto #12MesesComClarice2019 aqui no Café. Ainda mais esse belíssimo CONTO: HISTÓRIA INTERROMPIDA . Clarisse Lispector é uma escritora que merece grande admiração por seu trabalho e talento e dedicação para com a escrita. Arrasou.

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  9. Sabe, quando adolescente eu li um livro da Clarice Lispector e não gostei. Foi uma experiência tão intensa que fiquei um pouco traumatizada rs (li "A paixão segundo GH" e há uma cena forte que me deixou chocada na época).
    Nunca mais quis ler nada dela, no entanto ao ler esses seus posts sobre as obras da autora estou tendo vontade de dar uma segunda chance, talvez com uma obra diferente... Talvez o que tenha me faltado na época tenha sido maturidade e experiência para entender. Quem sabe agora a experiência de leitura seja diferente?
    Você está fazendo isso comigo haha

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  10. Ah, esse é o meu conto favorito de Clarice, dentre todos. A maneira com retrata W., é simplesmente apaixonante. Um Narciso às avessas. Maravilhoso. Achei interessante a sua descrição do personagem. Um artista. Eu não o vejo nessa condição. Para mim ele é apenas uma figura (deliciosamente) misteriosa. rs


    bacio

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