17/2019: O DIÁRIO DE ANNE FRANK

"Há algumas semanas comecei a escrever uma história, uma coisa que imaginei do princípio ao fim, e gostei tanto que os produtos de meus escritos começaram a formar pilhas."
Olá, pessoal! Como estão? Hoje eu tenho para compartilhar com vocês a resenha de um livro que comprei tem um tempão, mas que me privava um pouco de ler, eu confesso. E isso acontecia justamente por se tratar de uma história que, em minha opinião, embora saibamos ser verdadeira, seja um tanto triste: O Diário de Anne Frank

Quando iniciei com a proposta do blog, logo separei uma pilha de livros (que inclusive vem crescendo! Hahaha!). 

Na ocasião, o "Café" não tinha parcerias firmadas, então ficava até um pouco mais fácil realizar leituras pessoais, algo que gosto bastante, mas que aos poucos foi se dificultando (embora eu não esteja reclamando!Rsrsr! Porrr favorrrrr!).

Fato é que essa meta foi se afastando, mas este ano a impus de maneira mais firme a mim mesma, e tenho conseguido. Todo mês eu leio os livros que recebo de parcerias, mas consigo concluir algumas leituras que me aguardam na estante, o que tem me deixado bem satisfeita (tema para uma futura postagem para vocês!).

No caso de O Diário de Anne Frank, eu comecei a ler em abril do ano passado, mas faltando poucas páginas para terminar, fiquei com dó de concluir, o que me levou a fechá-lo e retornar com ele para a estante. A história dessa jovem me comoveu demais, acreditem! Contudo, quando o guardei, fiquei com algo inconclusivo dentro de mim, como uma obrigação, no caso de terminar a leitura, sabem?!

Então, quando retornei com minha meta pessoal esse ano, foi o primeiro livro a retirar dos guardados! E consegui, com muita reflexão e até mesmo pena, finalizá-lo em fevereiro. 
Com os compromissos com autores e editoras, fui deixando essa resenha, que já estava escrita num app no celular desde o ano passado, para depois.  
Mas é chegada a hora de compartilhar com vocês as minhas impressões dessa obra!
Me acompanham?! ;)


Título Original: O Diário de Anne Frank (edição definitiva por Otto Frank e Mirjam Pressler)

Autora: Anne Frank

Ano: 2013

Páginas: 378

Sinopse:

12 de junho de 1942 – 1º de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. A força da narrativa de Anne, com impressionantes relatos das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento. Seu diário já foi traduzido para 67 línguas, e é um dos livros mais lidos do mundo. Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.
"Vejo nós oito, no Anexo, como se fôssemos um retalho de céu azul rodeado por nuvens negras e ameaçadoras."
Anne é ainda uma menina quando começou a vivenciar os horrores da Segunda Guerra Mundial. No que chamavam de Anexo, aos 13 anos ela ganhou um diário de presente de aniversário, e decidiu que ele seria seu companheiro de desabafos, aflições, de expectativas e  inclusive das alegrias que possa ter vivido durante sua longa jornada no esconderijo com os seus. Isso durou até os  15 anos, quando foi forçada a interromper.

A publicação do diário era um sonho da menina. O que foi realizado pelo seu pai quando o recebeu de uma amiga que os auxiliava nessa luta. Mep o havia guardado em uma gaveta. Após a guerra, não havendo mais dúvidas de que Anne Frank estava de fato morta, Otto Frank decidiu por publicá-lo.
Vários aspectos foram levados em conta para a publicação do diário até a primeira vez,  em 1947. Por decisão de Otto, algumas passagens foram omitidas, devido ao cuidado por preservar os moradores do Anexo e sua família.



Durante a leitura, o leitor pode nitidamente notar em seus relatos que, independente de ter sido redigido em outra década, em uma outra cultura, seus manuscritos nos mostram as ambições de um menina de 15 anos, seus sonhos, ideais, perspectivas futuras...

Em suas confidências, acaba por direcionar o leitor sobre fatos históricos da época, relatando-nos os horrores da guerra, além das esperanças daquele grupo representado por Anne Frank em seu diário.

Ali, escondidos, a menina revela tal pavor no cotidiano, e a angústia por um breve fim, favorável a todos, já que o desejo pela saída do esconderijo, obviamente, era unânime. Desejos que, aos olhos de muitos, talvez pudessem parecer fúteis, já que não sentiram na pele o relatado por ela, mas que não somente para eles, como para tantos, significaria uma espécie de prêmio.
"Sempre que estiver sozinho ou triste, tente ir para o sótão num dia lindo e olhar para fora. Não para as casas e os telhados, mas para o céu. Enquanto puder olhar sem medo para o céu, saberá que é puro por dentro, e encontrará a felicidade outra vez."
Sua narrativa dos fatos, por diversas vezes, é tão intensa, que é possível nos projetar facilmente à situação vivenciada por eles.

Anne enreda sobre as dificuldades e ânsias, não apenas dela e de quem a acompanhava, mas de todos os que viveram tais crueldades, nos reportando inclusive para o hoje, nos permitindo identificar situações um tanto próximas, como quem atualmente vive casos omissos e impunes.

Uma menina, mulher, a frente de seu tempo já naquela época, que falava o que pensava.  Anne Frank representa até hoje a luta pela paz!
"Pulamos de alegria. Depois dos acontecimentos horríveis de ontem, finalmente alguma coisa boa acontece e nos traz... esperança! Esperança de um fim para a guerra, esperança de paz. "
A obra O Diário de Anne Frank possui uma linguagem acessível, de fácil compreensão.
Como leitora, e mãe de uma adolescente, muitas vezes me pegava rindo de alguns dos seus comentários sobre as atitudes dos adultos que conviviam com ela, bem típicos dessa faixa etária, independente do período vivido. Porém,  não posso dizer que concordava com tudo que lia,  mas analisava-a, tentando compreendê-la por um conjunto de fatores:

  • Anne era uma adolescente que naquele momento teve todos os seus planos interrompidos pela dramática situação que sua família vivia (com certeza não foi fácil!)(;  
  • Os hormônios estavam à flor da pele devido à sua fase de vida, a transição de uma criança para a adolescência;
  • E pelo seus escritos, percebe-se que tinha um pensamento próprio, o que chocava as pessoas da época, tornando-a assim, muitas vezes, uma incompreendida.


Nos relatos do dia  4 de agosto de 1943, uma quarta-feira, Anne  descreve sobre os quase um ano que encontravam-se no Anexo. E narra,  de maneira quase poética, a noite de uma jovem e de seus parceiros  durante a rotina de cada um antes de deitarem-se a dormir sem saberem o que viria após pegarem no sono, se é que conseguiam.

Explosões de canhões, ataques aéreos e o medo, a insegurança daqueles que temem por um fim trágico no meio da madrugada. Ela era uma menina, e em suas descrições daqueles horrores vividos, ainda teve o capricho de utilizar, inclusive, onomatopeias a reproduzirem os sons como o do despertador ("trriiiim..."), assim como aqueles reproduzidos pela Sra. Van D. , uma das pessoas que abrigavam o local junto de sua família.

Fico tentando imaginar, ainda conforme o que ela escrevia, o quão difícil seria a convivência com pessoas de outros grupos e culturas familiares.
"Sei o que é bom e o que não é. A não ser que você escreva, não saberá como é maravilhoso; eu sempre reclamava de não conseguir desenhar, mas agora me sinto felicíssima por saber escrever. E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais do que isso."

A sua aptidão para falar e escrever nos é nítida!
Em seu diário,  narra a todos com perfeição conforme sua visão e notável habilidade para tal.  Anne Frank sonhava em ser escritora...
"Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte! E é por isso que agradeço tanto a Deus por ter me dado esse dom, que posso usar para desenvolver e para expressar tudo que existe dentro de mim!"
Muito antes de conhecer a história dessa jovenzinha de pensamentos idealizadores e até mesmo revolucionários, assisti na TV, há muito tempo atrás, a uma adaptação de sua trajetória.
Durante os ires e vires da minha leitura, por vezes me senti na necessidade de retornar a algumas páginas do diário justamente por estar muito envolvida nos detalhes da sua escrita , bem como sobre os fatos ocorridos em seu dia a dia na época. 
"Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez alguma coisa de importância? Virei a ser jornalista ou escritora? Espero que sim, espero-o de todo o meu coração! Ao escrever sei esclarecer tudo, os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias."
Tratar do futuro, das incertezas, das vontades enquanto uma adolescente por entre tantas injustiças, tantas infelicidades, mas não perdendo jamais a esperança de que o amanhã poderia vir de forma diferente!

Essas eram as palavras de Anne Frank



Enquanto o mundo se aterrorizava diante da Gestapo, suas angústias e ao mesmo tempo a caridade, a solidariedade entre os riscos fizeram dela, em tão pouco tempo, uma pequena grande mulher! Uma menina iluminada!


Não é a toa que suas palavras de esperança se espalharam e ainda são propagadas ao mundo por meio de seu diário!


Sobre Anne Frank:


Anneliese Marie Frank, mais conhecida como Anne Frank, (Frankfurt, 12 de Junho de 1929 — Bergen-Belsen, início de Março de 1945) foi uma adolescente alemã de origem judaica, que morreu aos 15 anos no campo de concentração nazista de Bergen Belsen, na Alemanha. Seu diário foi publicado pela primeira vez em 1947 e é atualmente um dos livros mais lidos em todo mundo.

Fonte: Skoob



Então, pessoal! É essa maravilha que tenho para vocês hoje!
Sensação de leveza e de missão pessoal cumprida com a conclusão dessa leitura e a apresentação do meu trabalho para vocês!
Eu sinceramente estou aqui na expectativa de que tenham gostado, porque eu amei!

Me contem aqui: já tiveram contato com algumas das versões do livro? Já assistiram ao filme? E o que acharam? Se não leram ainda, teriam a curiosidade de ler? Por quê?
Me contem tudo! Estou louca por saber!

Até a próxima!
Beijos literários!

7 comentários

  1. Amiga que resenha maravilhosa! Ainda não li o diário dela, mas desde novinha sempre ouvi dizer que era um livro bem cheio de emoções, e nunca tive coragem de lê-lo ainda. Já vi várias edições dela, recentemente em uma viagem que fiz, vi uma edição lindíssima dele, fiquei bem tentada a comprar, mas acabei nem comprando. Tenho muito desejo de ler, mas parece que tem um fundo de medo sabe, sou muito chorona, e acho que esse livro vai me fazer chorar kkkkk amei seu post, e me deu uma baita coragem para comprar esse livro e ler! ♡

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  2. Amigaaa! Muito feliz por te ver aqui! de verdade! Ver seu carinho e entusiasmo pelo meu trabalho me deixa muito feliz e satisfeita! Obrigada!
    Sobre a leitura, faça como eu então: leia quando estiver preparada! Eu comprei, guardei por anos, li, abandonei e, quando concluí, fiquei muito pensativa, emotiva, mas com a sensação de missão cumprida por ter sido naquele momento! Respeite seu tempo, ok?
    Quero te ver mais vezes por aqui, viu? Aproveite para seguir!
    Bjs

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  3. Amiga, que resenha maravilhosa. Cada dia fico mais encantada com sua habilidade com as palavras.
    Eu li esse livro já tem um bom tempo e nunca me esqueço. Uma leitura intensa e necessária. São muitos sentimentos.
    O filme ainda não assisti, estou adiando, sei que vou me emocionar mais ainda.
    Tem também O Diário de Myriam que também é emocionante, se tiver a oportunidade leia.

    bjs

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  4. Oi, amiga! Obrigada sempre pleas lindas palavras! Eu tenho "O Diário de Myriam". Ganhei num amigo secreto literário da Editora Feles. Não vejo a hora de ler!
    Feliz Páscoa!

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  5. Parabéns pela resenha, simplesmente tocante. Esse tema me fascina e assusta, as guerras e as pessoas que viveram em períodos tão difíceis. Tenho um problema sério, quase me transporto para a época e é apavorante imaginar o que essas pessoas viveram e a quantidade de relatos que são verdadeiros ensinamentos deixados por muitas são provas da grandeza humana.

    bjs

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  6. Esse livro é simplesmente maravilhoso e acredito que todas as pessoas merecem ter a oportunidade de lê-lo. Parabéns pelo texto!

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  7. Eu concordo com você, viu? E obrigada pelo carinho e pela visitinha, viu?! Beijos!

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