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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

#01/2019: MATANDO, MORRENDO E CHORANDO


" O clima das notícias esquentava e Carlos começou a ouvir, ao longe, sons de bombas e explosões. Um calafrio subiu por sua espinha. Havia nascido na democracia, e como todos de sua geração, a tomava por certa. A democracia estava lá, existia como o sol ou a chuva. "



Olá! Como estão? Hoje é um dia especial. Vou lhes contar porquê: a resenha de hoje é a 01 de 2019

Vamos começar os trabalhos com a resenha do primeiro livro que eu li esse ano: "Matando, Morrendo e Chorando", do escritor brasileiro Rafael Machado.





Título Original: Matando, Morrendo e Chorando - Uma História do Século 21.

Autor: Rafael Machado

Ano: 2018


Páginas: 81

Formato: digital






Sinopse:

Racismo, sexo e violência. Depressão e aborto. Esses são só alguns dos temas que o jovem Carlos enfrenta neste começo de século vinte e um, enquanto tenta se manter fiel às suas convicções. Como manter as esperanças, mesmo em meio ao constante caos político no Brasil? Como seguir acreditando que as coisas irão melhorar? 

Manifestações. Impeachment. Eleições. Este é o conturbado plano de fundo em que se passa "Matando, morrendo e chorando", em uma cidade marcada pelos dramas do dia-a-dia. Através das dúvidas e reviravoltas da vida de Carlos, especialmente depois que conhece Clarice, um panorama da sociedade brasileira é desenhado, com todas suas desigualdades, hipocrisias e tragédias. "Matando, morrendo e chorando" acompanha o personagem na busca por respostas. Como enfrentar a violência, como lidar com a depressão, como encontrar a felicidade em meio à dura realidade de um país como o Brasil?

Acompanhando imigrantes, motoboys e moradores de rua, o livro traz à tona alguns personagens invisíveis da vida urbana, que ajudam a responder a questão principal. 

Há esperança?





Tudo começa ainda muito cedo. O protagonista Carlos, inicia a narrativa quando ainda era um menino de apenas 15 anos. Negro, ele é confundido dentro de uma cafeteria com alguém que  possivelmente estivesse pedindo esmolas, uma situação constrangedora ao qual parecia já tentar habituar-se a vivenciar, embora soubesse não ser o correto. Talvez para, de certa maneira, poupar seus pais, já que fora adotado por um casal branco de classe média alta. 

Na sala de aula, ele era o único rapaz negro.

Os tempos de escola tornam-se lembranças para esse menino.
Anos se passam, ele se transforma em um homem, e começa a estagiar com seu pai no escritório de advocacia, já que estaria cursando direito.

Por entre a história do protagonista, que o tempo inteiro se mostra reflexivo a fatos do seu  presente, bem como a relatos de uma certa historicidade vivida por gerações diferenciadas no Brasil, o autor  Rafael Machado nos apresenta casos distintos de situações de desapreço social que nossa sociedade sempre viveu, e infelizmente ainda presenciamos em nosso país.

Protestos e questionamentos perpassam por entre a narrativa. Desde fatos de décadas anteriores a que estamos, a um período em que as redes sociais começam a registrar tudo em tempo real, e o personagem revive ao leitor momentos do Brasil em que a chamada pela democracia se fez às claras, nas ruas, nos locais de presença dos governantes, nos ônibus, metrôs, e centros de grandes e pequenas cidades.

No meio disso tudo, Carlos reencontra duas irmãs, Marielle e Clarice. Junto dele, elas formavam um grupo seleto e pode-se afirmar ainda que minoritário e excluso, já que os três eram na época os únicos alunos negros na escola.





"Carlos nunca havia visto uma mulher que achou tão bonita em sua vida.
(...)
Era assim a lembrança de Carlos quanto à Clarice, lembrou da moça, mas não a lembrou bonita nem feia nem especial, notou, porém, que o cabelo, que era alisado no colégio, havia sido substituído por uma juba de cachos negros.
(...)
Ela, aparentando toda a força e independência do mundo, caminhava de braços dados com as amigas, altiva e confiante, e, aos olhos de Carlos, absolutamente linda."



Entre seus relacionamentos estariam, a partir daquele instante,  dois diferenciais: Aline e Clarice. 
Dos tempos de menino, tinha Aline, uma moça bonita da sua classe, que era julgada por seus colegas com olhares e comentários por ser repetente. Pela sua beleza, era desejada pelos garotos, e, com isso, tornava-se um certo incômodo para as demais meninas da turma. Vivia uma constante com as brigas e possível separação de seus pais em casa.
A partir da questão do relacionamento do protagonista com Aline, o texto nos retrata ainda outro tópico polêmico: os padrões de beleza impostos pelos grupos sociais. Carlos relata que não notava as irmãs, na época por, como o próprio personagem diz, "ter sido programado para perceber a beleza do longo cabelo loiro da moça, e para notar seus olhos azuis"

Com Clarice, uma feminista e cheia de brilho por viver, já maduro e em outra fase da vida e de quebra de padrões pré-estabelecidos, ele vive um intenso amor. Ela o faz parar para pensar sobre tudo que acredita. Enquanto era forte e explosiva, ele era um rapaz tímido e contido.

Mesmo com as diferenças evidentes entre os dois, o namoro ia bem. A moça, um ano mais velha, já se formara arquiteta e conseguia seu primeiro emprego. Carlos havia passado na prova da Ordem dos Advogados do Brasil e se formaria nos próximos meses em bacharel em Direito.

Tudo isso vem de encontro com uma vivência negativa que  o jovem e seus familiares submetem-se, trazendo mais angústia e insatisfação com o sistema: uma violência descabida que havia feito com que Carlos e seus pais buscassem alternativas para superarem um trauma. 

Com a ajuda de Clarice, e na expectativa de encontrar algo a mais que lhe fizesse sentido, por sugestão da namorada, ele descobre a paixão por fotografar. Contudo, esse hobby não se converteria apenas em meras fotos. Seria o retrato de vidas diferenciadas, que por meio de tais expressões,  instigassem o leitor a desvendar variadas  faces do nosso país.







Durante a narrativa, desde o princípio da trama, o ledor tem a possibilidade de observar uma espécie de "cortes" na história. 
Assim que notei tais apontamentos, peguei-me tentando compreender  e buscar conexão com as narrativas de Carlos. Com o passar da leitura, somos capazes de verificar alguns relatos, casos da vida real, do dia a dia de qualquer cidadão comum. 
São momentos que Rafael Machado utiliza com um misto de histórias adversas, também de amor, e fatos políticos. 
Histórias de moradores de rua, de casos policiais, de penitenciárias,  acidentes, profissões populares...


Em "Matando, Morrendo e Chorando", com uma escrita bem simples, 
Rafael Machado convida a cada amante da leitura a refletir e analisar através das experiências e aprendizados de Carlos e de seus próximos. 

O autor nos faz retornar em décadas anteriores de forma compreensível, revivendo diversos assuntos de cunho político, bem próximos do cotidiano de cada um. 


Para mim, leitora que ama estudar fatos da história do Brasil, foi uma prática bem interessante a possibilidade de me encontrar na narrativa do escritor.

Convido a todos para se achegarem e conhecerem Carlos com seus sonhos, suas perspectivas e  expectativas, em "Matando, Morrendo e Chorando"!



"Contrariando todas as ideias e pré-concepções, uma vida miserável na rua não traria infelicidade, a foto parecia dizer. Ainda era possível sorrir".


E aí, o que acharam? Eu amei essa minha primeira leitura do ano! Uma escrita que, como o próprio autor menciona, é uma  história que trata do século 21. Me fez viajar em memórias!
Me vi iniciando o ano com meditação e análises com base na atual situação do nosso país, bem como com as questões de cunho social que estamos sujeitos a passar o tempo inteiro, entretanto tendo a consciência  de que somos parte do que vivemos, e das decisões tomadas, que não mexem apenas com nossa vida, mas com a de todos em nosso entorno.

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Sobre o autor:


Autor do livro "Matando, Morrendo e Chorando", que aborda temas como o racismo, a depressão, o aborto e a situação caótica da política brasileira no começo do século 21. No livro, a história de Carlos, rapaz negro adotado por família de classe média alta branca é alternada com pequenos relatos de dramas cotidianos vivenciados pelas figuras urbanas invisíveis, como os moradores de rua, os motoqueiros e os imigrantes. O autor é advogado, formado em Direito pela USP, e escreveu "Matando, Morrendo e Chorando".




Espero que tenham gostado! Em breve estarei de volta trazendo mais dicas literárias para vocês! 
Beijos literários!